O QUE ESTÁ POR TRÁS DA EXPLOSÃO DO PMDB, QUEM É O ESTOPIM E QUEM ATEA O FOGO. ENTENDA O INCÊNDIO - Gilvan Freire




Em 2010, Ricardo Coutinho aliou-se a Cássio para derrotar Zé Maranhão, de quem tinha sido aliado antes nas eleições da Capital. Em 2014, para derrotar Cássio, seu aliado de 2010, RC aliou-se a Zé Maranhão, no segundo turno, vez que no primeiro turno o PMDB teve candidato, Veneziano, sucedido por Vitalzinho .

Por quê o PMBB não se coligou com RC logo no primeiro turno de 2014 e teve candidato próprio ? Foi porque o PMDB não se entendia com ele desde as eleições de 2010, quando derrotou Maranhão com o apoio de Cássio, e, além do mais, os irmãos Vital queriam disputar o governo a qualquer custo, contando com o apoio prometido do PT, que também não queria negócio com RC.

Como se sabe, a candidatura de Veneziano afundou à beira do cais e Vitalzinho assumiu o barco avariado com a pretensão apenas de formar no estado um palanque para Dilma, e botar a mão na tesouraria da campanha nacional petista, abarrotada de dinheiro da corrupção. A candidatura de Vitalzinho naufragou, como previsto, mas o dinheiro do petrolama serviu ao menos para eleger Veneziano a deputado federal, enquanto o PT, sem acreditar nos irmãos Vital e sem confiar em RC, terminou se coligando com este, mediante compromisso de RC apoiar DILMA na moita.
No segundo turno de 2014, o PMDB dividiu–se entre RC e CÁSSIO, mas Zé Maranhão, depois de vários encontros com Cássio, resolveu apoiar RC, pois Cássio, com soberba e empáfia, achava que ganhava sem o PMDB. Somente há poucos dias, Cássio penitenciou-se desses erros cruciais.

UNIÃO DE CÁSSIO A ZÉ

A eleição de Maranhão para o Senado em 2014, aproximou ele de Cássio, que já estava lá, e os dissabores que provaram com as alianças malsucedidas com RC os uniram. Estão hoje fortemente afinados. Mas, e o PMDB ?

PMDB de Maranhão e PSDB de Cássio herdaram os escombros do desastre petista de governo, e são agora sócios na encruzilhada de reinventar o Estado Brasileiro, união nacional que não existiu até o final da era lulopetista. Anotem: esta é a convergência partidária que irá orientar as coligações de 2018, a não ser que o desastre de Temer mude o eixo de direção.

As eleições municipais de 2016, há dois meses encerradas, trouxe à mostra a divisão geopolítica do PMDB na Paraíba. Manoel Jr, que queria candidatar-se a prefeito da Capital, retirou a postulação e se entendeu com Cartaxo e Cássio, e recebeu autorização expressa de Michel Temer para celebrar no estado o primeiro grande acordo dentro do pacto nacional do PMDB/PSDB, sob o patrocínio direto de Maranhão e Cássio. Portanto : este pacto é de Temer e dos partidos da base governista federal, expressamente contrário a RC, que se fez opositor ferrenho do presidente da república.

De fora desse pacto federal ficaram alguns importantes líderes municipais do PMDB, porque têm divergências localizadas com liderados do Senador Cássio, como Nabor em Patos; Veneziano em Campina; e os Paulino em Guarabira, que não conciliam seus interesses dentro da aliança Maranhão/Cássio. Eis o problema.

Ano passado, porém, insatisfeito porque Maranhão seguiu a orientação de Temer, RC ajudou a humilhar Veneziano nas urnas em Campina. Além de lhe negar apoio (dele recebeu apoio decisivo no segundo turno em 2014, o suficiente para desempatar e ganhar a eleição para Cássio), colocou uma raposa tonta como candidato de seu partido para impossibilitar a eleição do ex-cabeludo-menudo. Foi acachapante.
Em Guarabira, RC colocou outro aloprado do PSB para massacrar o PMDB e os Paulino, e os derrotou e os inferiorizou flagorosamente, a troco de nada, só para tentar destruir o PMDB e Zé Maranhão e impedir as alianças futuras com Cássio, dentro do pacto nacional.

O resultado concreto e final dessas desastrosas intervenções de RC nos domínios do PMDB, nos grandes centros eleitorais, culminou na derrota de todos e na derrota dele próprio em João Pessoa, afora a demonstração latente de que RC desce célere a rampa do Poder.

A BÓIA DE SOBREVIVÊNCIA DOS NÁUFRAGOS

A eleição de Manoel Jr como vice de Cartaxo, seguindo a orientação de Temer e da cúpula nacional do PMDB, com todas as chances de colocar o partido no comando do governo da Capital, foi a única vitória peemedebista considerável no estado, deixando os derrotados aflitos, especialmente pelo fato de que o PMDB passa a ser protagonista no favoritismo da provável candidatura de Luciano Cartaxo a governador em 2018.

De outro lado, os outros líderes do PMDB que RC ajudou a derrotar, antes expoentes do partido, não parecem mais ser figuras de grande futuro, o que os leva a pensar juntos em formas de sobrevivência. Nesse sentido, RC ainda se oferece como muleta insegura para feridos de guerras perdidas, de alguma utilidade, inclusive para dar empregos a familiares e garantir à custa do Erário combalido certos favores da máquina , antes suportamos dolorosamente pelo Poder público municipal esfolado. Isso é parte da crise.

Na medida em que esses setores peemedebistas ficam mais fragilizados eleitoralmente e mais necessitados financeiramente, e levando em consideração que o Poder de Cartaxo não pode cobrir esses rombos, mais eles se aproximam de RC, que os financia para rachar o PMDB e tirar Maranhão da aliança com Cássio e do projeto local, com apoio nacional, para consolidar Cartaxo como candidato ao governo em 2028.

LIRA É O ESTOPIM. RC É O FOGO

Quando LIRA adquiriu, dois anos atrás, através de urnas abarrotadas de cifrões e vazia de votos, o mandato dado pelo povo a Vitalzinho, numa manobra deprimente de deserção política e traição eleitoral, já se sabia que estava vindo de volta um mal-assombrado espantalho que o povo jamais cogitou ressuscitar em nossas cercanias tribais. Mas o dinheiro dá vida aparente até às múmias .

Ligado desde os tempos antanho aos grandes negócios da República e a interesses de fortes grupos econômicos nacionais e internacionais, LIRA teve de deixar sua casa confortável em Miami e refazer os caminhos áridos da Paraíba, vez que a cúpula podre do Senado , em meio a maior crise moral de todos os tempos republicanos , logo lhe deu papéis reservados aos novatos e virgens aparentes.

Resolvido o impeachment de Dilma e vencido no campo ideológico e político, no qual apostou todas as fichas, RC viu em LIRA uma saída de emergência para escapar do fogaréu que passou a tostar os desafiadores da nova ordem política. Além de tudo, LIRA precisava de encosto para tentar se manter na vida pública sem voto e nunca poderia estrebuchar metido a ser líder ou ameaça de nada.

Visto como aventureiro e intruso pelas demais lideranças políticas do Estado, capaz de negociar um mandato de topo sem a conquista do voto popular, LIRA se associou a RC com o objetivo prestar favores do governo federal à administração
girassol, anulando as figuras de Maranhão e Cássio, os dois mais influentes políticos da Paraíba junto a Temer. O presidente não tem se comovido com a ação de LIRA.
Frustrado na tentativa de levar RC a uma adesão ao governo de Temer e dele tirar recursos, por mais que RC esteja em estado de estrema-unção, e tendo perdido em companhia do governador as últimas eleições municipais na região metropolitana e nas áreas mais densamente povoadas da Paraíba, LIRA navega em barco furado e mares revoltos. Daí a necessidade de tomar o PMDB de Maranhão para entregar a RC, e colocar a sua candidatura nata ao Senado.

QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS PASSOS DA CRISE ?

É provável que o PMDB se reúna brevemente para discutir os rumos próximos do partido e suas fissuras. Possivelmente, vão adiar as decisões para 2018, quando algumas lideranças podem ter passado ou estarão vivendo grandes vexames por causa de investigações hoje em curso. Tudo pode alterar os rumos. Um coisa , porém, é certa : enquanto Temer estiver no Poder, não haverá, em hipótese nenhuma , ao menos uma ameaça de intervenção na direção estadual do PMDB contra a liderança de Zé Maranhão. Menos ainda se for para favorecer o governador Ricardo Coutinho.

Há muito jogo, interesses subterrâneos e blefes em causa, em parte para artificializar crises e gerar desconfianças e cizânias , ou alimentar projetos com dificuldade de execução. Há muita gente esperta pelo meio. Mas a grande lição política virá da velha sabedoria popular, segundo a qual ninguém pensa em ganhar corrida montado em cavalo manco.

RC e Cássio - Por quê um embate tão duro e fora de época?



 
Cassio nunca digeriu que, em 2010, para liquidar com o seu maior inimigo político da época, o ZÉ, tivesse de criar outro inimigo mais ferino, mais mortal.

Cassio, como se sabe, transferiu a RC o seu vasto patrimônio eleitoral estadual, mas, pouco tempo depois, quando precisou contar as suas ovelhas, a maior parte já pertencia àquele a quem encarregou de pastoreá-las.

Isso sempre acontece quando o dono entrega a outros a administração de seu seus bens. É o olho do dono que engorda o rebanho, já dizia Velho Jacó, reverberando os sábios de seu tempo.

Tanto Cassio quanto ZÉ perderam muitas ovelhas botando RC para tomar conta delas. O segredo dos cuidados era simples : RC não ensinava às ovelhas nem o caminho de novos pastos e nem novos métodos de criação. Apenas treinava o rebanho para se revoltar contra seus antigos pastores.

De tanto não trazer algo de novo ao rebanho - nem mudar de pastos e nem mudar de tratos ( ou mudar para pior )RC tem visto os rebanhos tomados voltarem aos anteriores pastoreadores.

Também dizia Velho Jacó que ninguém vomita com satisfação a comida que comeu com o prazer da gula. É precisamente isso que está acontecendo com RC e sua virulenta linguagem contra Cassio, que beira a insanidade.

RC, ultimamente, como acontece sempre quando está sob pressão dos fatos adversos, vomita fogo contra alguém, ainda e preferencialmente que sejam aqueles que lhe entregaram suas ovelhas para ele tomar conta, quando seu próprio rebanho era escasso.

Se as ovelhas estão magras, sem água e sem víveres, estão sem atenções e tratos, cercadas e acossadas pela falta de vigilância e submetidas ao isolamento imposto pela mau humor e pelo temperamento belicoso e mitomaníaco de seu novo e ambicioso pastor, de nada mais adianta responsabilizar os pastoreadores de antes.

RC começa a conviver com as assombrações que mais o transtornam : ele mesmo e seu próprio fracasso governamental, em áreas que poderiam mudar a cultura dos rebanhos e a mentalidade dos pastores, como a educação, a saúde e a segurança pública do povo da Paraíba.

Como é próprio de seu feitio, RC esbraveja acuado quando as ovelhas desconfiam que foram usadas apenas para uma transferência de poder pastoreal, sem algo de novo a não ser o culto à personalidade e à ingratidão e à traição. E, para ele, a culpa será sempre dos outros pastores. Dá pra entender ?

Somente Temer pode salvar o Brasil e a sua renúncia é a salvação




Não é que o país esteja irremediavelmente arruinado. Nos últimos anos, mesmo com o esforço concentrado de sua elite dirigente, verticalmente e horizontalmente corrupta em todos os níveis, o Brasil prosperou, até que os assaltantes públicos aumentassem os ataques ao Tesouro.

Olhando hoje para trás, tudo parece meio confuso: é como se o povo precisasse muito de líderes e dirigentes desonestos para experimentar um surto de crescimento. Não se diz DESENVOLVIMENTO, porque a corrupção é incompatível com o desenvolvimento.
Não seria de se admitir que os ladrões mais competentes do país estiveram governando e distribuindo benefícios, embora os maiores benefícios a eles próprios ? Em parte é verdade , mas o resultado prático é que enriqueceram e quebraram o país. Ou seja : só o povo não percebia o rombo que teria de tapar depois.

Essa elementar constatação revela uma verdade absoluta : era o roubo organizado por ladões descarados mas geniais que alimentava uma máquina pública poderosa de manipulação de recursos do Estado em associação com empresários nacionais e transnacionais mais geniais que os próprios ladrões.

Esse modelo espúrio de gestão, em que todas a indecências se fundem para criar um ambiente de prosperidade aparente a partir da preferencial prosperidade dos próprios fascínoras , certamente é devido mais à competência desses empresários superdotados, a exemplo dos Odebrecht.

Não seria o caso de prender os líderes e dirigentes públicos brasileiros e aproveitar o talento de Marcelo Odebrecht na presidência do Brasil, vez que ele já chefiava o governo e o Congresso e exercia imensa influência nos demais poderes ?
Só não pode é Marcelo ficar preso, os ladrões continuarem no governo e povo clamando por governabilidade. Nada é mais dramático para o Brasil de agora do que um governo fraco, incapaz, imóvel, inútil e leniente, cercado de gatunos e sem, ao menos, um líder para dar comandos.

A culpa é de Moro, que tirou de circulação os nossos melhores ladrões, os mais capazes, e deixou fora da cadeia, por enquanto, os menos geniais, inclusive no comando do país. Sem eles cupinizando nossas riquezas, Marcelo solto, com tornozeleiras, daria jeito no Brasil.

Quem não pode ajudar muito é Temer. Ele é o pior da crise, porque a aumenta e não tem confiança pública e nem talento para resolvê-la. É pior do que Dilma, pode ? Além do mais, é líder de umas das facções que sustentavam o desastre dela. Mas essa não é a sina dele, é a nossa tragédia, que ele - somente ele - pode consertar : renunciando. Óh, nosso querido Papai Noel Temer , please !

RC expõe os rabos de jornalistas da Paraíba mas não esconde o rabo do próprio governo - Gilvan Freire




Ficou sem respostas convincentes, dos dois lados, o episódio esquisitíssimo envolvendo o governo de RC e quase 200 jornalistas que são hoje devedores remissos do programa Empreender, o mesmo que colocou o governador nas garras da Justiça Eleitoral, com risco de perder o cargo.

É uma situação inimaginável que todos os tomadores de empréstimos de uma categoria profissional, que nunca foram o alvo desse favor público destinado a incentivar pequenos empreendedores típicos, além de terem sido beneficiados em grupo, também não paguem.

Graciosidade tamanha, à razão de R$ 8.000,00 por pessoa, sem um foco específico de fomentar pequenos negócios ,já seria o suficiente para que jornalista, que é bicho sabido e arisco, desconfiasse que estava sendo vítima de uma tentativa sórdida de coaptação.
Estranho que quem quis meteu o dinheiro público fácil no bolso, sem ao menos olhar para trás para ver se o Papai Noel fora de época não era um impostor vestido do velhinho bom.

Mais estranho ainda que, como só acontece nos bancos de generosidade de governos corruptos, iguaizinhos a esses da República toda, nenhum favorecido se sentia devedor de nada, a não ser aqueles que receberam mais dinheiro por causas de outra natureza, que já sabiam como deviam pagar.

Acontece que o problema aflorou agora, depois que Helder Moura mexeu no cupim, e o governo resolveu chamar os devedores por edital, meio constrangedor e vexatório aos brios dos devedores, que, obrigatoriamente, deveriam ser notificados por correspondência em seus endereços.

Procedimentos extravagantes desses, no âmbito privado, redundam em ações indenizatórias de reparação moral, mas o governo de RC certamente acha que os que receberam o favor político direcionado não se encorajam a tanto porque se fragilizaram pela exposição pública.

Verdade é que o expediente maquiavélico adotado para inibir alguns jornalistas e punir outros menos governistas que o governo acha que deviam ser é apenas uma arma utilizada por RC para não deixar esse rabo de fora perante o processo de cassação no TRE, porque ele prova, de urgência, que ao menos considera devedores aqueles que tentou aliciar.

A verdadeira história de desses bondosos empréstimos comprometedores está sendo contada por vários jornalistas acossados, mas mesmo assim terão de engolir o que falam para não fulminar o governador no TRE. Mas a catinga está incendiando o ambiente.

Somos todos dependentes dos maus político como os drogados são da drogas - Gilvan Freire



 
Povo pobre não é somente o que não tem ou pouco tem o que comer. Povo pobre, nas democracias, é um povo incapaz ou circunstancialmente privado de escolher o seu próprio destino político.

É simples : no chamado Estado Democrático de Direito o povo decide através do voto, periodicamente, como quer ser dirigido e por quem. É a celebtação de um pacto social pela realização do bem comum.

Tudo dará mais ou menos certo na medida em que os líderes escolhidos pelo voto popular sejam iguais, melhores ou piores do que pareciam ser quando foram escolhidos.
Trazendo o caso para a atualidade brasileira, nós estamos paupérrimos. Perdemos as últimas eleições como oportunidades, os votos como manifestação de vontades, e os líderes como agentes de conquistas e transformações do bem comum.

Pior : nem sabemos como sair do desastre em que entramos. Melhor dizendo : em que nossos líderes nos meteram. Covardia !!! traição !!! Parece até que não conheciam a gente e nem nós conhecíamos eles. Trágico mesmo.

É como se, de repente, todos os nossos líderes houvessem surtado e a gente só restasse esperar a cura de todos ou de alguns deles, enquanto eles só pioram e não há remédios por perto. Nem há ninguém para substituí-los.

Vendo Renan, Temer e seus comparsas, tanto quanto víamos antes Lula, Dilma e seus cavaleiros do apocalipse moral, fica-nos a impressão arrasadora de que estamos dependentes deles para permanecer vivos. E miseravelmente pobres como Jó.

Estamos na iminência de um pacto dos três poderes da Republica. Eles precisam se salvar antes de salvarem o País - Gilvan Freire



 
Não há mais como se salvarem ao mesmo tempo o Brasil, o povo e Poderes Constituídos. Existe, neste momento, um claro confronto entre o que o povo exige e o que os Poderes são capazes de atender.

Os organismos políticos estão em processo falimentar e se escondem da população para não ter de prestar contas de seus malfeitos, descobertos em flagrante delito de muitos crimes hediondos de traição à democracia.

Os crimes mais vís praticados vão da corrupção eleitoral, negando idoneidade e lisura às eleições, ao surrupiamento de bens e dinheiro público. A atividade política virou uma sucata do que já foi , um desmonte moral.

A princípio da autoridade pública está em frangalhos. Ninguém do povo tem o menor respeito ou apreço pelos detentores dos mais altos cargos da estrutura funcional do Estado. Todos se nivelam por baixo na sujeira e no nojo popular.

Até mesmo a Suprema Corte, que seria encarregada de garantir equilíbrio em meio a uma grave crise de desconfiança coletiva no papel essencialmente político do Estado ( do Legislativo e do Executivo ), está também contaminada.

Todos os Poderes estão exalando fedores, como se agissem em consórcio, deliberadamente de costas para o povo, subestimando a indignação de uma nação inteira. Parecem instituições de outro país sem o comum da língua-mãe.

A coisa se agravou muito nas últimas horas. Agora são os Poderes que avançam uns sobre os outros, não para sanear a sujeira, mas para exibir seus esgotos internos, nunca vistos antes por causa dos tapetes vermelhos que os cobrem.

Não é a melhor hora para obter ganhos de uma ação moralizadora contra autoridades descaminhadas, pois todas estão resistindo e tentando escapar da crucificação que pega a todos. É um salve-se-quem-puder tenso e dramático.

Esta quarta-feira é um marco nos procedimentos de faxina do país. Mas é recomendável que não se tenham ilusões. Os poderes desavindos vão se entender à pretexto de salvar o Brasil. Mas só eles serão salvos. É ver.

Oldebrecht redescobre o Brasil: Uno novo País de povo honesto guardado por assaltantes em todas as esquinas - Gilvan Freire



 
Em qualquer lugar onde morar um brasileiro dentro do país, que não pertença às organizações criminosas que se multiplicam e se diversificam com progresso espantoso por causa da ausência do Estado, estará uma vítima da criminalidade.

Não há uma só pessoa do povo no Brasil, entre os que não são favorecidos pelo crime e seus tentáculos , que também não tenha perdido alguma coisa que era de seu direito ou de seu legítimo interesse, desviada pelas ações dos criminosos.

Mas, de todos os aparelhos dos mais diferentes tipos de prática delinquente , o mais invasivo e de maior e mais amplo potencial ofensivo é o da criminalidade pública, baseada nos agentes do Estado, em todos os Poderes, saqueando o Tesouro.

O Tesouro é o cofre do povo, onde são depositados seus impostos e sacrifícios financeiros , a fim de que os Poderes os redistribua através da realização das obras do bem comum, especialmente entre os pobres, na busca de uma vida social justa.

Nos últimos anos, por conta da Lava Jato e Moro, estamos redescobrindo um país diferente do que estava nas aparências, onde gestores e servidores públicos , líderes políticos e outros gângster privados se unem para estourar os cofres do povo.

Mas chegou a grande hora do redescobrimento : a delação coletiva da ODEBRECHT e do master-gênio Marcelo, chefe dos chefes do Cartel do Propinoduto que explodiu a Petrobrás e outras dezenas de ricas empresas e órgãos estatais, vítimas indefesas.
Daqui para frente pouca gente se esconderá de seus próprios crimes ou alegará cinicamente inocência para fugir da ira coletiva. Nem culpará juízes e investigadores pela justeza das punições que haverão de sofrer. Esse novo Brasil tem mais futuro do que o velho país. Mas ainda é preciso achar quem tome conta dele.

Os coiotes da Câmara agiram de madrugada, quando seus caçadores dormiam e o povo não vigiava seus galinheiros - Gilvan Freire



 
Mamífero da família dos canídeos, parente próximo dos cachorros e das raposas, perecidos demais com eles, os coiotes são animais sagazes que se alimentam de caças, carnes e carniças . Pequenos animais ferozes, os coiotes saem à noite em bandos, as matilhas, e, se alguma pessoa se aproxima, eles atacam.

Foi na madrugada desta quarta-feira que deputados federais, fora dos holofotes atentos da grande imprensa livre do país, a mesma que descobriu os esconderijos e raposais desses animais caninos que transformaram os cofres públicos em carniça nos últimos tempos, prepararam armadilhas para pegar seus caçadores.

É verdade que galinhas não devem descansar no galinheiro enquanto as raposas se reunem em seu território, assim como caçadores de coiotes não podem relaxar em sua guarda quando as matilhas estão rondando sob cerco e amedrontadas diante da ameaça de extermínio.

Mas, daí a se admitir que a maioria parlamentar na Câmara Federal possa agir, mediante selvageria legislativa , no sentido de encurralar promotores e juízes encarregados de limpar o próprio parlamento de suas carniças internas e higienizar o país de sua imensa e insuportável fedentina, é demais da conta.

Esse espetáculo deprimente de uivos madrugais e festa noturna, como se fossem as penúltimas coisas a serem feitas pelos caninos em suas agitadas matilhas atacadas de morte, é um ritual mal-assombrado e arrepiador. Mas as povoações indefesas se levantarão a favor dos caçadores, e não dos coiotes.

Há uma revolução social em marcha no Brasil



 
SÉRGIO CABRAL E GAROTINHO SÃO UM ESTOPIM A MAIS
Só gente muito bacana, autoridades e gravatudos, burgueses, ricos e ricaços, encastelados nos mais imponentes prédios da capital da república ou nos ambientes granfinos dos principais centros financeiros do país, não se tocam de que a sociedade brasileira chegou à exaustão em sua paciência e leniência.

No meio da população, até pouco tempo atrás, parecia que o povo aceitava os desgovernos e a corrupção, simplesmente porque, apesar da degradação geral, as pessoas tiravam algum proveito da farra, coisa mínima como emprego e renda, ou mesmo uma pontinha nos negócios desonestos realizados na promiscuidade.
Esse inchaço da máquina pública corrupta, que nega serviços básicos ao povo, foi capaz de alimentar a economia, que tornou-se próspera, até que se descobrisse que tudo era maquiado para esconder o fracasso da gestão estatal e o envolvimento de centenas de autoridades com as quadrilhas de ladrões do Tesouro.

De repente, os castelos de areia ruíram e os usurpadores do patrimônio público se viram descobertos e expostos à luz, olhados de perto pela sociedade que já não os achava honestos, mas nem imaginavam que fossem delinquentes de tamanha periculosidade, especialmente aqueles escolhidas pelo próprio povo para lhe representar perante o poder público.

É evidente que foi no ambiente de tolerância social e leniência coletiva, em que todos cidadãos pecam por uma espécie de cumplicidade geral, onde se formou essa onda de criminalidade desenfreada que pôs o país a pique e ainda tributou à população o encargo de tapar os rombos nas contas públicas saqueadas.

O antro da gatunagem estatal está agora estourado e devassado parcialmente, e se tem uma ideia ampla de como funcionava a engrenagem criminosa e quais são os setores e autoridades relacionados, flagrados quase todos os deliquentes entre os mais nobres nas hierarquias de todos os poderes e no topo do mundo empresarial.

Os poderes públicos no Brasil, de cima para baixo, verticalmente e horizontalmente, estão apodrecidos, não obstante existirem muitos de seus integrantes que não aderiram ao regime consensual de permissividade, mas, mesmo assim, poucos se revelam dignos de reagir diante da bandalheira dominante.

Alastrado mas identificado, o banditismo reinante na esfera pública do país está sob ataque da população irada e de certa forma sob cerco de outras autoridades que se levantam contra as hordas organizadas. Elas reagirão em blocos para sobrevier às artilharias populares, mas é quase certo que serão vencidas.

De qualquer forma, embora seja possível a celebração de um pacto dos poderes para amenizar o combate duro à corrupção, mediante mecanismos e medidas de autoproteção das castas criminosas, a sociedade não de move em defesa dos ladrões. Até no sistema carcerário, outros delinquentes não querem saber deles.

Está pois estabelecido um gravíssimo confronto social entre os grupos marginais do setor público e a sociedade que foi lesada, insultada e desmoralizada por eles. Com a diferença de que o povo sabe exatamente o que eles pensam e fazem, mas essas quadrilhas, que ainda dominam o país em seus postos de comando , não sabem o que o povo pensa e será capaz de fazer. A democracia tem de sair dos esgotos.

Está sendo criado o clima de revolta popular - Gilvan Freire




Aos poucos, mas com uma força assustadora, o país está sendo desintegrado e arrastado para o abismo. Todos os fatores de uma instabilidade social estão presentes - agravamento das desigualdades, desemprego, elevação do custo de vida, depressão coletiva, falta de líderes e ausência de horizontes.

O pior de tudo é que a causa mais próxima desse desastre, por si só capaz de desagregar a sociedade, já é em si mesma uma revolta : a corrupção política, vista como a matriz de todos os outros males.

Nenhuma sociedade minimamente consciente e livre pode suportar um ataque desses aos costumes e às leis por parte de líderes institucionais, quase todos investidos de mandatos eletivos, mediante práticas reiteradas de crimes em grupos partidários contra os próprios eleitores.

O povo ver com clareza solar que está passando por todas essas tremendas provações e aflições exatamente por causa da conduta de seus líderes, na quase totalidade membros das maiores quadrilhas de assaltantes dos cofres públicos desde o Descobrimento em 1 500, passsamdo pela espoliação da Coroa portuguesa.

É também verdade que essa corrupção oceânica foi democratizada e espalhou-se por todos os organismos públicos e fez parceria com a iniciativa privada, a maior corruptora de todos os tempos, mas é exatamente essa associação que degrada parte do resto da população, dados os efeitos abrangentes.

Foram, de fato , distribuídos em larga escala os dividendos dessas amplas e grandiosas organizações criminosas, mas no topo, e não na base da pirâmide social, enquanto o grosso da população se escraviza para manter esse império do mal funcionando.
O desmonte do governo lulopetista e seu aparelho criminoso por Moro nem de longe significa o desbaratamento das quadrilhas e suas ramificações poderosas, porque a base de atuação é federativa, presente em todo território nacional e incrustrado no serviço público como um todo, em todos os poderes da República.

O que mais preocupa é que a elite que administra os interesses públicos no âmbito dos poderes, em grande parte envolvida também com a rede de traficância de influência e beneficiamento direto ou indireto com as quadrilhas saqueadoras, está agora se protegendo para não ter perdas com a debacle geral.

Tempos cinzentos e esquisitos de clara falência de um modelo de gestão pública e de esbanjamento e suntuosidade nas práticas administrativas e nos desvios dos recursos do Estado e das finalidades dos governos democráticos, que levam o povo à revolta.
Da esquerda à direita, passando pelo centro, não sobra da devastação da Lava Jato e pela peneira da confiabilidade pública um só líder apropriado para tirar o país da beira do abismo, e ainda haverá desmanche biográfico de falsos líderes em massa. Como foi possível chegar a um colapso moral tão devastador ?

Desconfianças infidelidades e conspirações - Gilvan Freire



 DESCONFIANÇAS, INFIDELIDADES E CONSPIRAÇÕES :
OS DESAFIOS DOS GRANDES LÍDERES POLÍTICOS DA PARAÍBA


Nas disputas pelo Poder, pelo dinheiro ou pelo amor, cabe de tudo que há de anormal ou esquisito na natureza humana, inclusive o irracional e o desumano. Mas os homens são assim mesmo : bichos, na hora de defender seus maiores interesses .

Na luta pelo Poder, em qualquer época da História, os homens foram selvagens. Na cobiça pelo dinheiro e na conquista de um amor, foram bárbaros. Nada mudou na humanidade no correr dos tempos, mudaram apenas os métodos e os meios.
Na política, Poder, dinheiro e amor ( ainda que seja o amor só pelo Poder e pelo dinheiro ) transformam os homens . Deformam suas naturezas e os embrutecem. E tudo piora quando a vaidade e a ambição se juntam em defesa da mesma causa.

As eleições municipais recentes pelo Brasil afora trouxeram, em grande parte, mudanças importantes no estilo político vigorante. Pessoas simples, sem histrionismo e sem afetação,não radicais, com linguagem diferente, destronaram os pomposos.
Venceram, na maioria, os ponderados, os métodos inovadores, os mais jovens e menos sedentos de Poder. Ou seja : o Poder chegou às mãos dos que não o perseguem a qualquer custo e preço . É um avanço e tanto, inesperado.


A Paraíba tem hoje um cartel importante de novos líderes políticos, uns na meia idade, outros chegando promissoramente. Mas quase todos impregnados por uma cultura política atrasada. Ou se reciclam ou vão ser superados pelos mais novos.
É muito provável que líderes mais velhos do que RC, Cassio e Luciano não tenham mais papéis proeminentes nas próximas eleições. Zé Maranhão, com mais de seis anos restantes de mandato senatorial, é o condutor das transições. Ou fiador.


RC prepara-se para descer do pedestal. Já passa pelo processo de desmistificação - o povo dá sempre um Poder magro, o poderoso o engorda, mas o povo o desidrata depois. É assim : o Poder é alucinógeno e engana aos que não veem o seu fim.
Cassio, Luciano e Zé têm uma força política imensa de conjunto. RC nunca ganhou uma eleição majoritária sem recorrer a um deles. Agora os três estão unidos com os olhos plantados no futuro. RC só precisa desuni-los. O mago trabalha. E deixam.
Há uma onda de discórdia e de conspiração em curso. A senha é uma hipotética candidatura de Cassio ao governo em 2018. Cassio não quer mas não descarta, porque já passou por isso com RC e se deu mal. É o dilema de muitas traições.

A semente da cizânia está plantada. Lucianistas e cassistas estão desconfiando uns dos outros. É um bom começo para uma grande crise, quando os eleitos do novo pacto nem tomaram posse. RC é semeador de ervas daninhas . Onde são plantadas não nascem rosas nem flores. E só os burros se alimentam desses pastos.

Estourou a barragem de dejetos da Oldebrecht é fedentina para todos os cantos do Brasil - Gilvan Freire




Ali Babá e seus Quarenta Ladrões soltaram o verbo. Houve um tempo em que soltavam verba. E também não são apenas 41 ladrões , são 51, o chefe e seu bando, um esquadrão de grandes corruptores que saquearam os cofres públicos do país, como quem tira água de um poço fundo e inesgotável sem vigia por perto.

Mas essa quadrilha da Odebrecht não é a maior corja de assaltantes do Brasil, é uma das, parte de um consórcio poderoso de gângsters que a escola da criminalidade brasileira formou nos últimos anos para exportar para todo o continente Sul e para a África e Ásia como produto nacional genuíno com selo público de garantia estatal.
Seria menos dramático se esses assaltantes tivessem arrombado cofres uns dos outros e carregado as ‘furtunas ‘que acumularam pela exploração do homem sobre o
homem nesse capitalismo selvagem que se expandiu no Brasil a partir do golpe militar de 64, quando houve um milagre econômico só para os exploradores.

O mais perverso, contudo, é que os saqueadores avançaram diretamente sobre o patrimônio público nacional e arrombaram o Tesouro em época de tomada do poder
pelos pobres sobre as elites, no mais retumbante fracasso da pobreza em sua luta de classes e na busca de suas utopias malogradas.


Pior ainda : esse exército de cangaceiros modernos que se abastece do dinheiro do Estado, da arrecadação dos impostos e dos recursos naturais do país, é integrado também pelos pobres de origem e seus representantes políticos, movidos pela ambição, pela ganância e pela sedução e fascínio que exerce o dinheiro fácil.
Ou seja : são os pobretões e seus líderes que se alugam, se vendem e se rendem para que a riqueza possa continuar concentrada em mãos dos mesmos malfeitores e saqueadores da nação, impossibilitando a libertação dos excluídos e retardando a conquista da justiça social.

Mas, tudo bem, vamos assistir agora ao descerramento dessa cortina suja que vinha encobrindo a podridão de um mundo subterrâneo debaixo de nossos próprios pés , que envolve empresários desonestos, políticos indecentes, pobres sem vergonha e brasileiros honrados mas inocentes úteis, a maior parte vítima de sua incapacidade de indignação.


O maior dique da lamaceira agora se rompe. Haverá catinga para todos os lados. Saberemos mais, além das suspeitas fundadas , sobre pessoas suspeitas, mas ainda assim ainda teremos como nos envergonharmos mais . Moro e sua calma de monge enfermeiro e cirurgião põe o dedo em feridas grandes e fura tomores gordos. Os odores serão insuportáveis. Mas , viva Moro !

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