Os costumes gays, a viadagem de moda, as regras sociais, o juiz e a cura e as reações das minorias organizadas - Gilvan Freire




Nunca foi fácil vencer preconceitos arraigados milenarmente na cultura universal e nem parece ser possível abolí-los em breve tempo. A cultura dos povos é produto de fatos e fenômenos repetidos durante anos ou séculos a fio, que tomam as feições de verdade absoluta, impondo-se com força de lei.

Apesar disso, a ciência e o conhecimento vivem a desafiar essas coisas costumeiras, desfazendo os mitos e as ‘verdades‘, dando lugar a grandes mudanças na capacidade de percepção e interpretação dos indivíduos.

E, veja-se, nem de longe o cérebro humano está perto de esgotar ao menos cincoenta por cento de sua capacidade de processar informações e de entender bem a si mesmo e o mundo exterior. Ou seja : ainda cabe nele uma imensidão de possibilidades de virar o universo às avessas, quebrando padrões e formas estabelecidas.

Nesse sentido, a compreensão contemporânea de que as sociedades humanas precisam salvar o planeta para garantir a permanência da espécie, obriga o entendimento de que a vida humana há de ser compartilhado com a vida vegetal e a vida animal, tal qual parece ser o sentido da obra do Criador.

Isso é revolucionário, conceitualmente falando, e remete a outra dimensão na forma de ver e entender o mundo.

Mesmo assim, são incontáveis os conflitos que os povos enfrentam quando se trata de abrir mão de suas regras costumeiras, especialmente quando os costumes estão baseados em princípios das religiões e crendices, notadamente quando confrontadas com as ciências e seus processos investigativos.

QUEM É O HOMEM ? Eis aí a questão principal e o material objeto da mais ampla cobertura analítica da pesquisa científica em todos os períodos da História Humana, envolvendo todos os ramos de todas as ciências, só tendo um concorrente distante que é entender o funcionamento do próprio Universo.

Os seres humanos são caracterizados em princípio pela tipologia anatômica, que faz deles, diferentemente dos animais e suas diversidades de formas, um elemento padrão, com formato pré-estabelecido, diferenciado apenas pela divisão macho-fêmea e na fisiologia dos aparelhos de reprodução .

É por isso que, ao longo da História Humana, desde os homens primitivos, as deformidades corporais criaram tanto espanto nas sociedades, chegando ao ponto assustador de crianças deformes serem condenadas sumariamente à morte, identificavas e jogadas nos abismos, como acontecia na Esparta antiga e Roma, antes do Cristianismo.

Não faz muito tempo. Em 25 de junho de 1939, Adolf Hitler ordenou ao médico nazista Karl Brandt que eliminasse Gerhard Krestschmar, a pedido de seu próprio pai, porque teria nascido cego, maneta, zambeta e idiota, um monstro no entender de seu genitor. A criança de apenas cinco meses foi executada com uma dose alta de Luminal.
Em 1 de setembro de 1939, no mesmo dia em que começou a II Guerra, o imperador dos infernos regulamentou seu programa de eutanásias, T4, destinado a matar todos os portadores de ‘ mongolismo, microcefalia, hidrocefalia, deformidades nos membros ou na coluna e paralisia‘, dando aos médicos a capacidade de decidir, aplicando-lhes uma morte‘ piedosa. A partir daí surgiram outros atrocidades inomináveis, inclusive contra os gays e os judeus, estes por intolerâncias raciais.

A LUTA DOS GAYS CONTRA AS DESCRIMINAÇÕES E A DITADURA DAS FORMAS ANATÔMICAS ESTABELECIDAS - É forçoso concluir de início que os gays não são deformes, não têm anomalias limitantes ou incapacitantes, razão talvez sobeja para encarar o fenômeno sob o ângulo da sexualidade e da afetividade, envolvendo prazer, comunhão de interesses e afeições. Lembrando, contudo, que entre os trans ocorrem mutilações e inovações artificiais que alteram o padrão anatômico.

Não é de surpreender que uma sociedade conformada com os biotipos consolidados, tenha intolerâncias de variados tons quando põe os olhos sobre os casos concretos, especialmente porque o ativismo gay enfrenta o problema pela forma da exibição pública, o meio que considera adequado para vencer as resistências e promover uma adaptação dos costumes.

Muito embora no reino animal seja frequente a prática da homosexualidade, em algumas espécies com índice bastantes elevados ,as razões são obviamente diferentes. Entre os indígenas também ocorre, valendo aí o mesmo padrão anatômico, havendo sentido cultural também muito diferenciado.

Em âmbito psicológico, onde residem possivelmente os maiores problemas, que dizem respeito ao duelo entre identidades em busca de autoafirmação, parece certo que a equação do fenômeno não está resolvida, subsistindo questionamentos que alimentam o imaginário coletivo, motivo suficiente para não ser se desprezar as prováveis calosidades psíquicas, sujeitas ainda a observação e estudos, o que não coloca o juiz da causa gays na mira do fuzilamento sumário.

A guerra, portanto, não é só com a sociedade conservadora que age de acordo com seus costumes seculares, é de modo mais profundo com a anatomia e a fisiologia dos humanos. E não se diga, simplisticamente, que é uma questão de liberdade de opção de gênero e de uso livre do corpo. Fosse assim, se poderia dispor da própria vida livremente.

Certo que a questão está posta não só para que o mundo e a natureza conhecida sejam reavaliados, mas, quem sabe, para a construção de um novo mundo. Uma coisa, entretanto, parece evidente : há também nesses movimentos gays uma onda de viadagem e exibicionismo panfletário, um modismo induzido que afronta mais do que convence. A não ser que a espécie humana esteja evoluindo para negar suas próprias formas padrões, o que põe em cheque a todos, gregos e troianos.

NOTA :Desculpem, artigo sobreposto no anterior. tô tentando resgatar e corrigir, mas não estou conseguindo.

Por que os militares não podem pensar nem falar sobre a crise moral e institucional brasileira? - Gilvan Freire



 

Isso não parece censura imposta, em grande parte, pelos próprios delinquentes políticos que aterrorizam a população com seus maus feitos e acocoraram o país na tentativa de submeter o Estado ao império de poderosas facções criminosas confederadas, travestidas de organizações políticas democráticas ?


Por que os militares podem opinar sobre quase tudo de interesse do povo e do Brasil, na terra, no ar e no mar, da educação à saúde , do combate à criminalidade ao controle de nossas fronteiras, sobre as questões de segurança interna e externa, mas não podem emitir opinião sobre os descaminhos políticos que ferem de morte as instituições e transformam a nação em terra arrasada ?

Como privar o cidadão comum de opinar e reagir contra esse caudaloso rio de indecência que corta o país em todas direções e desconstitui o legado democrático conquistado a duras penas humanas, quando criminosos do colarinho branco saqueiam os bens e o dinheiro público e se protegem em abrigos garantidos pelo próprio Estado, destinados somente a autoridades constituidas e presumidamente idôneas ?
Mais ainda, como cercear a liberdade de manifestação de um líder militar que externa as inquietações de milhões de brasileiros atônitos com o dilúvio de imoralidades que varre o território brasileiro e força o povo a aceitar a impunidade e a delinquência como regras sociais impostas pelo conluio de autoridades encasteladas em antros criminosos ?
Como desprezar a opinião de brasileiros que, ao contrário dos antros de sodomia , integram ambientes moralmente sadios que não promiscuem a vida pública nem contribuem para agravar essa crise degenerativa dos maus costumes dominantes, e pertencem a instituições estatais que merecem o raro respeito da sociedade hoje ?
É, militares não podem pensar o Brasil em crise, como se a sociedade pudesse se dar ao luxo de excluir algum setor invulnerável à bancarrota criminosa quando se trata de defender a própria democracia que se queda impotente diante de verdadeiras hordas de assaltantes políticos. Acha-se pouco que militares de todas as armas tenham como chefes supremos presidentes da república flagrados em crimes atentatórias à dignidade do cargo e à honra comum do cidadão honesto ?

Como aceitar a desmoralização da justiça pelos juízes desonrados ou pelos próprios jurisdicionados e criminosos insubmissos, que precisam garantir a impunidade de seus crimes para que a criminalidade triunfe ? Como impor o silêncio sob ‘pacto de sangue‘ até a militares e civis que deploram e repulsam os malfeitores públicos e querem reconstruir o Brasil em bases morais saudáveis ? Como submeter os militares brasileiros à obediência hierárquica de chefes do crime ?

Sim, devemos ter medo de uma intervenção militar, por causa da memória histórica do país, mas não devemos temer a opinião dos militares em hora de grande crise envolvendo o papel reservado às instituições públicas, sob pena de negarmos a um setor específico da sociedade aquele direito fundamental que até os delinquentes usam para negar seus crimes praticados contra o povo e contra o Estado.

É bem melhor saber o que os militares pensam do que castrar-lhes a liberdade de pensar e punir-lhes pelo delito de opinião, ou ignorar o que eles pensam e dizem. O resto é puro preconceito e medo, especialmente desses setores que transformaram uma democracia liberal numa democracia libertina, sem regras, sem controle social, sem respeito à coletividade.

A esquerda brasileira, com complexo de culpa histórica , atormentada pelo seu fracasso político e pela falência moral de sua governança, transforma os militares em hipotéticos terroristas de direita, quando foi ela própria, em alianças espúrias, que fez da direita no Brasil uma linha auxiliar na consumação de sua obra de destruição do país e suas instituições.

O medo em si tem justificativa aceitável, por conta da experiência nefasta com o golpe militar de 64, quando os quartéis, cumpliciados com os políticos da época, tomaram o poder à força com o propósito de sanear os costumes e refundar as instituições. Criaram uma ditadura duradoura, cruenta, que matou , torturou, cassou , baniu e expatriou seus adversários, muitos deles severamente punidos e exterminados sumariamente pela prática de delitos de opinião, o mesmo delito que queremos imputar hoje a militares decentes.

De qualquer forma, oremos contra as ditaduras mais temíveis, universalmente as mais odientas e criminosas : a de esquerda e a de direita. E não aceitemos também a ditadura da opinião de censores corruptos contra a liberdade de expressão dos brasileiros que querem mudar o país.

A OAB não pode imergir nos esgotos - Gilvan Freire



 
Nesses anos modernos do pode tudo em todas as instituições, quando a indecência ganhou status de procedimento padrão e a iniquidade tomou o lugar da regra, e não da exceção, deixando especialmente as organizações públicas afogadas no lamaçal geral, cabe a alguns organismos da sociedade pularem fora desse oceano de fedentinas a fim de que o povo ainda possa ter onde se agarrar, para que não sucumbemos todos de vez.
O Brasil como Nação e como Estado já esteve à deriva várias vezes e o povo já teve antes de pagar o pato pelos descaminhos ocorridos, quase todos deflagrados pelos desatinos de sua elite dirigente, por pouco não tendo sofrido uma guerra civil. Embora hoje, com poucos disfarces, esteja em conflagração civil aterradora, movida pela incapacidade de gestão pública em áreas vitais da vida social, especialmente na educação, saúde e segurança pública, sem falar no clamor incendiário de repugnância que causam a corrupção e a improbidade.

Para suplantar esses danos causados ao país, noutras épocas, o povo revoltado se ancorou nas três mais invulneráveis e resistentes entidades de moralidade pétrea, a OAB, a CNBB e a ABI, verdadeiras fortalezas no combate à opressão dos poderosos e aos desvios de conduta moral dos homens públicos, hoje, infelizmente, quase que totalmente amesquinhadas diante da bandalheira em que virou o setor público e seus agentes, incluindo até mesmo esferas do Poder Judiciário.


Não obstante isso, essas ainda são as instituições mais idôneas do país, mesmo acanhadas no enfrentamento do banditismo dominante que bate de frente com o xerife Moro e seu agrupamento de honra, a Guarda Suíça do povo brasileiro.

Mas quando se olha para esse episódio da denúncia de assédio contra um graduado membro da atual gestão da OAB paraibana, tem-se a impressão, pela falta de maior consistência da queixa tornada pública, que se trata de um coquetel político, endereçado ao advogado Paulo Maia, um dos grandes líderes da classe surgido nos anos recentes, candidato à reeleição.

De fato, nesses últimos anos, a OAB desvestiu-se de seu papel histórico e deixou de intervir nas crises da sociedade brasileira, tão deserdada de líderes, mas, por outro lado, não infiltrou-se nos escaninhos da podridão, pelo menos como entidade, e ainda é guardiã dos interesses do povo e do país.


A tentativa de adotar procedimentos próprios da avacalhada atividade política partidária, em suas eleições internas, fere de morte a imagem da OAB e nivela os advogados pela inescrupulosidade própria da conduta dos políticos profissionais, especialmente se a pretensão for a luta pelo poder a qualquer custo. Ter cabeça não é preciso, mas ter juízo é preciso.

Estamos ainda cheio de amor e felicidade, mas não sabemos mais o que fazer deles, deixamos que o ódio governe as nossas desesperanças - Gilvan Freire




DONA MARISA - Morreu uma operária pobretona, casado com outro operário pobretão, que ocuparam juntos o palácio mais grã-fino do país, onde outros pobres podiam entrar como convidados especiais. Viraram príncipe e princesa plebeus, rasgaram os manuais da grã-finagem brasileira. A História do Brasil parou para recomeçar depois deles. O resto é de menos.

LULA, VIÚVO E ÓRFÃO - O metalúrgico que tomou o Poder das elites pelo voto direto e pela bravura dos excluídos de todas as raças livres, possuia como força interior Marisa e a memória da origem gêmea dos dois - uma saga completa com aspectos épicos e heróicos. Ela própria era a heroína dele e, como todas as esposas resistentes e bravas, em alguns momentos era também filha e mãe do esposo : conselheira, protetora, líder e liderada.

Lula certamente ainda não sabe o que será feito de si sem Marisa. Seu espírito combalido de tantas adversidades pode ficar frágil demais para resistir e avançar, como fazia com ela a seu lado.

Ou age pela revolta diante de seus próprios erros, repudiados pelo grosso da população, ou baixa a guarda para reconciliar-se com as maiorias que conquistou e perdeu seguindo o receituário petista de governar - um laboratório de criminalidade , improbidade e desmandos , fruto do socialismo barroco e obsoleto da esquerda senil brasileira.

Se dona Marisa pode ter morrido pela pressão dos fatos que a atormentavam tanto nos últimos tempos, isso é apenas uma concausa periférica, e não a causa principal da morte. A falência moral e ética do lulopetismo é a causa eficiente da sucumbência mortal de dona Marisa, assim como da morte lenta de Lula, não outras causas tomadas por empréstimo dos açougueiros humanos pelo PT et Caterva.


Esse agrupamento dos aloprados petistas semeou o ódio e colhe ódio agora, nessa dura queda de braço entre a delinquência pública partidária e a sociedade civil acuada e raivosa. Nem seus próprios cadáveres escapam da ira coletiva que espalharam antes e recolhem de volta hoje como um bumerangue sem juízo.
O PT não pode mais usar Lula como um Dom Quixote ferido e machucado para enfrentar uma população insultada, agredida e enfurecida, porque não haverá vitória nenhuma, e sim o colapso total do que resta desse exército de moribundos insanos.
Mas, se o coração de Lula amolecer pela morte de sua heroína e penitenciar-se de seus desvios de conduta perante o povo e o país, a alma dela será salva primeiro que
a sua, e ele próprio poderá ser indulgenciado pela cristandade dos que já o amaram.
Se não, o grande Satã tomará conta de seu destino, com o castigo de não salvar a alma de dona Marisa, nem nós outros estaremos a salvo, só porque não fomos capazes de amar a uma mulher humana e esposa fiel - uma dama pobre do bem, como milhões de mulheres pobres e dignas do mundo, somente pelo fato dela ter contrariado as nossas paixões políticas.

Se a morte de dona Marisa servir contudo para aplacar o rancor que corrói atualmente a nossa alma, seu legado de esposa e mãe não será em vão. E o país vai precisar disso para se erguer das cinzas. Assim como cinzas de paz ela será. Guardo meu choro também para ela. Não quero perder a minha humanidade.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA EXPLOSÃO DO PMDB, QUEM É O ESTOPIM E QUEM ATEA O FOGO. ENTENDA O INCÊNDIO - Gilvan Freire




Em 2010, Ricardo Coutinho aliou-se a Cássio para derrotar Zé Maranhão, de quem tinha sido aliado antes nas eleições da Capital. Em 2014, para derrotar Cássio, seu aliado de 2010, RC aliou-se a Zé Maranhão, no segundo turno, vez que no primeiro turno o PMDB teve candidato, Veneziano, sucedido por Vitalzinho .

Por quê o PMBB não se coligou com RC logo no primeiro turno de 2014 e teve candidato próprio ? Foi porque o PMDB não se entendia com ele desde as eleições de 2010, quando derrotou Maranhão com o apoio de Cássio, e, além do mais, os irmãos Vital queriam disputar o governo a qualquer custo, contando com o apoio prometido do PT, que também não queria negócio com RC.

Como se sabe, a candidatura de Veneziano afundou à beira do cais e Vitalzinho assumiu o barco avariado com a pretensão apenas de formar no estado um palanque para Dilma, e botar a mão na tesouraria da campanha nacional petista, abarrotada de dinheiro da corrupção. A candidatura de Vitalzinho naufragou, como previsto, mas o dinheiro do petrolama serviu ao menos para eleger Veneziano a deputado federal, enquanto o PT, sem acreditar nos irmãos Vital e sem confiar em RC, terminou se coligando com este, mediante compromisso de RC apoiar DILMA na moita.
No segundo turno de 2014, o PMDB dividiu–se entre RC e CÁSSIO, mas Zé Maranhão, depois de vários encontros com Cássio, resolveu apoiar RC, pois Cássio, com soberba e empáfia, achava que ganhava sem o PMDB. Somente há poucos dias, Cássio penitenciou-se desses erros cruciais.

UNIÃO DE CÁSSIO A ZÉ

A eleição de Maranhão para o Senado em 2014, aproximou ele de Cássio, que já estava lá, e os dissabores que provaram com as alianças malsucedidas com RC os uniram. Estão hoje fortemente afinados. Mas, e o PMDB ?

PMDB de Maranhão e PSDB de Cássio herdaram os escombros do desastre petista de governo, e são agora sócios na encruzilhada de reinventar o Estado Brasileiro, união nacional que não existiu até o final da era lulopetista. Anotem: esta é a convergência partidária que irá orientar as coligações de 2018, a não ser que o desastre de Temer mude o eixo de direção.

As eleições municipais de 2016, há dois meses encerradas, trouxe à mostra a divisão geopolítica do PMDB na Paraíba. Manoel Jr, que queria candidatar-se a prefeito da Capital, retirou a postulação e se entendeu com Cartaxo e Cássio, e recebeu autorização expressa de Michel Temer para celebrar no estado o primeiro grande acordo dentro do pacto nacional do PMDB/PSDB, sob o patrocínio direto de Maranhão e Cássio. Portanto : este pacto é de Temer e dos partidos da base governista federal, expressamente contrário a RC, que se fez opositor ferrenho do presidente da república.

De fora desse pacto federal ficaram alguns importantes líderes municipais do PMDB, porque têm divergências localizadas com liderados do Senador Cássio, como Nabor em Patos; Veneziano em Campina; e os Paulino em Guarabira, que não conciliam seus interesses dentro da aliança Maranhão/Cássio. Eis o problema.

Ano passado, porém, insatisfeito porque Maranhão seguiu a orientação de Temer, RC ajudou a humilhar Veneziano nas urnas em Campina. Além de lhe negar apoio (dele recebeu apoio decisivo no segundo turno em 2014, o suficiente para desempatar e ganhar a eleição para Cássio), colocou uma raposa tonta como candidato de seu partido para impossibilitar a eleição do ex-cabeludo-menudo. Foi acachapante.
Em Guarabira, RC colocou outro aloprado do PSB para massacrar o PMDB e os Paulino, e os derrotou e os inferiorizou flagorosamente, a troco de nada, só para tentar destruir o PMDB e Zé Maranhão e impedir as alianças futuras com Cássio, dentro do pacto nacional.

O resultado concreto e final dessas desastrosas intervenções de RC nos domínios do PMDB, nos grandes centros eleitorais, culminou na derrota de todos e na derrota dele próprio em João Pessoa, afora a demonstração latente de que RC desce célere a rampa do Poder.

A BÓIA DE SOBREVIVÊNCIA DOS NÁUFRAGOS

A eleição de Manoel Jr como vice de Cartaxo, seguindo a orientação de Temer e da cúpula nacional do PMDB, com todas as chances de colocar o partido no comando do governo da Capital, foi a única vitória peemedebista considerável no estado, deixando os derrotados aflitos, especialmente pelo fato de que o PMDB passa a ser protagonista no favoritismo da provável candidatura de Luciano Cartaxo a governador em 2018.

De outro lado, os outros líderes do PMDB que RC ajudou a derrotar, antes expoentes do partido, não parecem mais ser figuras de grande futuro, o que os leva a pensar juntos em formas de sobrevivência. Nesse sentido, RC ainda se oferece como muleta insegura para feridos de guerras perdidas, de alguma utilidade, inclusive para dar empregos a familiares e garantir à custa do Erário combalido certos favores da máquina , antes suportamos dolorosamente pelo Poder público municipal esfolado. Isso é parte da crise.

Na medida em que esses setores peemedebistas ficam mais fragilizados eleitoralmente e mais necessitados financeiramente, e levando em consideração que o Poder de Cartaxo não pode cobrir esses rombos, mais eles se aproximam de RC, que os financia para rachar o PMDB e tirar Maranhão da aliança com Cássio e do projeto local, com apoio nacional, para consolidar Cartaxo como candidato ao governo em 2028.

LIRA É O ESTOPIM. RC É O FOGO

Quando LIRA adquiriu, dois anos atrás, através de urnas abarrotadas de cifrões e vazia de votos, o mandato dado pelo povo a Vitalzinho, numa manobra deprimente de deserção política e traição eleitoral, já se sabia que estava vindo de volta um mal-assombrado espantalho que o povo jamais cogitou ressuscitar em nossas cercanias tribais. Mas o dinheiro dá vida aparente até às múmias .

Ligado desde os tempos antanho aos grandes negócios da República e a interesses de fortes grupos econômicos nacionais e internacionais, LIRA teve de deixar sua casa confortável em Miami e refazer os caminhos áridos da Paraíba, vez que a cúpula podre do Senado , em meio a maior crise moral de todos os tempos republicanos , logo lhe deu papéis reservados aos novatos e virgens aparentes.

Resolvido o impeachment de Dilma e vencido no campo ideológico e político, no qual apostou todas as fichas, RC viu em LIRA uma saída de emergência para escapar do fogaréu que passou a tostar os desafiadores da nova ordem política. Além de tudo, LIRA precisava de encosto para tentar se manter na vida pública sem voto e nunca poderia estrebuchar metido a ser líder ou ameaça de nada.

Visto como aventureiro e intruso pelas demais lideranças políticas do Estado, capaz de negociar um mandato de topo sem a conquista do voto popular, LIRA se associou a RC com o objetivo prestar favores do governo federal à administração
girassol, anulando as figuras de Maranhão e Cássio, os dois mais influentes políticos da Paraíba junto a Temer. O presidente não tem se comovido com a ação de LIRA.
Frustrado na tentativa de levar RC a uma adesão ao governo de Temer e dele tirar recursos, por mais que RC esteja em estado de estrema-unção, e tendo perdido em companhia do governador as últimas eleições municipais na região metropolitana e nas áreas mais densamente povoadas da Paraíba, LIRA navega em barco furado e mares revoltos. Daí a necessidade de tomar o PMDB de Maranhão para entregar a RC, e colocar a sua candidatura nata ao Senado.

QUAIS SERÃO OS PRÓXIMOS PASSOS DA CRISE ?

É provável que o PMDB se reúna brevemente para discutir os rumos próximos do partido e suas fissuras. Possivelmente, vão adiar as decisões para 2018, quando algumas lideranças podem ter passado ou estarão vivendo grandes vexames por causa de investigações hoje em curso. Tudo pode alterar os rumos. Um coisa , porém, é certa : enquanto Temer estiver no Poder, não haverá, em hipótese nenhuma , ao menos uma ameaça de intervenção na direção estadual do PMDB contra a liderança de Zé Maranhão. Menos ainda se for para favorecer o governador Ricardo Coutinho.

Há muito jogo, interesses subterrâneos e blefes em causa, em parte para artificializar crises e gerar desconfianças e cizânias , ou alimentar projetos com dificuldade de execução. Há muita gente esperta pelo meio. Mas a grande lição política virá da velha sabedoria popular, segundo a qual ninguém pensa em ganhar corrida montado em cavalo manco.

RC e Cássio - Por quê um embate tão duro e fora de época?



 
Cassio nunca digeriu que, em 2010, para liquidar com o seu maior inimigo político da época, o ZÉ, tivesse de criar outro inimigo mais ferino, mais mortal.

Cassio, como se sabe, transferiu a RC o seu vasto patrimônio eleitoral estadual, mas, pouco tempo depois, quando precisou contar as suas ovelhas, a maior parte já pertencia àquele a quem encarregou de pastoreá-las.

Isso sempre acontece quando o dono entrega a outros a administração de seu seus bens. É o olho do dono que engorda o rebanho, já dizia Velho Jacó, reverberando os sábios de seu tempo.

Tanto Cassio quanto ZÉ perderam muitas ovelhas botando RC para tomar conta delas. O segredo dos cuidados era simples : RC não ensinava às ovelhas nem o caminho de novos pastos e nem novos métodos de criação. Apenas treinava o rebanho para se revoltar contra seus antigos pastores.

De tanto não trazer algo de novo ao rebanho - nem mudar de pastos e nem mudar de tratos ( ou mudar para pior )RC tem visto os rebanhos tomados voltarem aos anteriores pastoreadores.

Também dizia Velho Jacó que ninguém vomita com satisfação a comida que comeu com o prazer da gula. É precisamente isso que está acontecendo com RC e sua virulenta linguagem contra Cassio, que beira a insanidade.

RC, ultimamente, como acontece sempre quando está sob pressão dos fatos adversos, vomita fogo contra alguém, ainda e preferencialmente que sejam aqueles que lhe entregaram suas ovelhas para ele tomar conta, quando seu próprio rebanho era escasso.

Se as ovelhas estão magras, sem água e sem víveres, estão sem atenções e tratos, cercadas e acossadas pela falta de vigilância e submetidas ao isolamento imposto pela mau humor e pelo temperamento belicoso e mitomaníaco de seu novo e ambicioso pastor, de nada mais adianta responsabilizar os pastoreadores de antes.

RC começa a conviver com as assombrações que mais o transtornam : ele mesmo e seu próprio fracasso governamental, em áreas que poderiam mudar a cultura dos rebanhos e a mentalidade dos pastores, como a educação, a saúde e a segurança pública do povo da Paraíba.

Como é próprio de seu feitio, RC esbraveja acuado quando as ovelhas desconfiam que foram usadas apenas para uma transferência de poder pastoreal, sem algo de novo a não ser o culto à personalidade e à ingratidão e à traição. E, para ele, a culpa será sempre dos outros pastores. Dá pra entender ?

Somente Temer pode salvar o Brasil e a sua renúncia é a salvação




Não é que o país esteja irremediavelmente arruinado. Nos últimos anos, mesmo com o esforço concentrado de sua elite dirigente, verticalmente e horizontalmente corrupta em todos os níveis, o Brasil prosperou, até que os assaltantes públicos aumentassem os ataques ao Tesouro.

Olhando hoje para trás, tudo parece meio confuso: é como se o povo precisasse muito de líderes e dirigentes desonestos para experimentar um surto de crescimento. Não se diz DESENVOLVIMENTO, porque a corrupção é incompatível com o desenvolvimento.
Não seria de se admitir que os ladrões mais competentes do país estiveram governando e distribuindo benefícios, embora os maiores benefícios a eles próprios ? Em parte é verdade , mas o resultado prático é que enriqueceram e quebraram o país. Ou seja : só o povo não percebia o rombo que teria de tapar depois.

Essa elementar constatação revela uma verdade absoluta : era o roubo organizado por ladões descarados mas geniais que alimentava uma máquina pública poderosa de manipulação de recursos do Estado em associação com empresários nacionais e transnacionais mais geniais que os próprios ladrões.

Esse modelo espúrio de gestão, em que todas a indecências se fundem para criar um ambiente de prosperidade aparente a partir da preferencial prosperidade dos próprios fascínoras , certamente é devido mais à competência desses empresários superdotados, a exemplo dos Odebrecht.

Não seria o caso de prender os líderes e dirigentes públicos brasileiros e aproveitar o talento de Marcelo Odebrecht na presidência do Brasil, vez que ele já chefiava o governo e o Congresso e exercia imensa influência nos demais poderes ?
Só não pode é Marcelo ficar preso, os ladrões continuarem no governo e povo clamando por governabilidade. Nada é mais dramático para o Brasil de agora do que um governo fraco, incapaz, imóvel, inútil e leniente, cercado de gatunos e sem, ao menos, um líder para dar comandos.

A culpa é de Moro, que tirou de circulação os nossos melhores ladrões, os mais capazes, e deixou fora da cadeia, por enquanto, os menos geniais, inclusive no comando do país. Sem eles cupinizando nossas riquezas, Marcelo solto, com tornozeleiras, daria jeito no Brasil.

Quem não pode ajudar muito é Temer. Ele é o pior da crise, porque a aumenta e não tem confiança pública e nem talento para resolvê-la. É pior do que Dilma, pode ? Além do mais, é líder de umas das facções que sustentavam o desastre dela. Mas essa não é a sina dele, é a nossa tragédia, que ele - somente ele - pode consertar : renunciando. Óh, nosso querido Papai Noel Temer , please !

RC expõe os rabos de jornalistas da Paraíba mas não esconde o rabo do próprio governo - Gilvan Freire




Ficou sem respostas convincentes, dos dois lados, o episódio esquisitíssimo envolvendo o governo de RC e quase 200 jornalistas que são hoje devedores remissos do programa Empreender, o mesmo que colocou o governador nas garras da Justiça Eleitoral, com risco de perder o cargo.

É uma situação inimaginável que todos os tomadores de empréstimos de uma categoria profissional, que nunca foram o alvo desse favor público destinado a incentivar pequenos empreendedores típicos, além de terem sido beneficiados em grupo, também não paguem.

Graciosidade tamanha, à razão de R$ 8.000,00 por pessoa, sem um foco específico de fomentar pequenos negócios ,já seria o suficiente para que jornalista, que é bicho sabido e arisco, desconfiasse que estava sendo vítima de uma tentativa sórdida de coaptação.
Estranho que quem quis meteu o dinheiro público fácil no bolso, sem ao menos olhar para trás para ver se o Papai Noel fora de época não era um impostor vestido do velhinho bom.

Mais estranho ainda que, como só acontece nos bancos de generosidade de governos corruptos, iguaizinhos a esses da República toda, nenhum favorecido se sentia devedor de nada, a não ser aqueles que receberam mais dinheiro por causas de outra natureza, que já sabiam como deviam pagar.

Acontece que o problema aflorou agora, depois que Helder Moura mexeu no cupim, e o governo resolveu chamar os devedores por edital, meio constrangedor e vexatório aos brios dos devedores, que, obrigatoriamente, deveriam ser notificados por correspondência em seus endereços.

Procedimentos extravagantes desses, no âmbito privado, redundam em ações indenizatórias de reparação moral, mas o governo de RC certamente acha que os que receberam o favor político direcionado não se encorajam a tanto porque se fragilizaram pela exposição pública.

Verdade é que o expediente maquiavélico adotado para inibir alguns jornalistas e punir outros menos governistas que o governo acha que deviam ser é apenas uma arma utilizada por RC para não deixar esse rabo de fora perante o processo de cassação no TRE, porque ele prova, de urgência, que ao menos considera devedores aqueles que tentou aliciar.

A verdadeira história de desses bondosos empréstimos comprometedores está sendo contada por vários jornalistas acossados, mas mesmo assim terão de engolir o que falam para não fulminar o governador no TRE. Mas a catinga está incendiando o ambiente.

Somos todos dependentes dos maus político como os drogados são da drogas - Gilvan Freire



 
Povo pobre não é somente o que não tem ou pouco tem o que comer. Povo pobre, nas democracias, é um povo incapaz ou circunstancialmente privado de escolher o seu próprio destino político.

É simples : no chamado Estado Democrático de Direito o povo decide através do voto, periodicamente, como quer ser dirigido e por quem. É a celebtação de um pacto social pela realização do bem comum.

Tudo dará mais ou menos certo na medida em que os líderes escolhidos pelo voto popular sejam iguais, melhores ou piores do que pareciam ser quando foram escolhidos.
Trazendo o caso para a atualidade brasileira, nós estamos paupérrimos. Perdemos as últimas eleições como oportunidades, os votos como manifestação de vontades, e os líderes como agentes de conquistas e transformações do bem comum.

Pior : nem sabemos como sair do desastre em que entramos. Melhor dizendo : em que nossos líderes nos meteram. Covardia !!! traição !!! Parece até que não conheciam a gente e nem nós conhecíamos eles. Trágico mesmo.

É como se, de repente, todos os nossos líderes houvessem surtado e a gente só restasse esperar a cura de todos ou de alguns deles, enquanto eles só pioram e não há remédios por perto. Nem há ninguém para substituí-los.

Vendo Renan, Temer e seus comparsas, tanto quanto víamos antes Lula, Dilma e seus cavaleiros do apocalipse moral, fica-nos a impressão arrasadora de que estamos dependentes deles para permanecer vivos. E miseravelmente pobres como Jó.

Estamos na iminência de um pacto dos três poderes da Republica. Eles precisam se salvar antes de salvarem o País - Gilvan Freire



 
Não há mais como se salvarem ao mesmo tempo o Brasil, o povo e Poderes Constituídos. Existe, neste momento, um claro confronto entre o que o povo exige e o que os Poderes são capazes de atender.

Os organismos políticos estão em processo falimentar e se escondem da população para não ter de prestar contas de seus malfeitos, descobertos em flagrante delito de muitos crimes hediondos de traição à democracia.

Os crimes mais vís praticados vão da corrupção eleitoral, negando idoneidade e lisura às eleições, ao surrupiamento de bens e dinheiro público. A atividade política virou uma sucata do que já foi , um desmonte moral.

A princípio da autoridade pública está em frangalhos. Ninguém do povo tem o menor respeito ou apreço pelos detentores dos mais altos cargos da estrutura funcional do Estado. Todos se nivelam por baixo na sujeira e no nojo popular.

Até mesmo a Suprema Corte, que seria encarregada de garantir equilíbrio em meio a uma grave crise de desconfiança coletiva no papel essencialmente político do Estado ( do Legislativo e do Executivo ), está também contaminada.

Todos os Poderes estão exalando fedores, como se agissem em consórcio, deliberadamente de costas para o povo, subestimando a indignação de uma nação inteira. Parecem instituições de outro país sem o comum da língua-mãe.

A coisa se agravou muito nas últimas horas. Agora são os Poderes que avançam uns sobre os outros, não para sanear a sujeira, mas para exibir seus esgotos internos, nunca vistos antes por causa dos tapetes vermelhos que os cobrem.

Não é a melhor hora para obter ganhos de uma ação moralizadora contra autoridades descaminhadas, pois todas estão resistindo e tentando escapar da crucificação que pega a todos. É um salve-se-quem-puder tenso e dramático.

Esta quarta-feira é um marco nos procedimentos de faxina do país. Mas é recomendável que não se tenham ilusões. Os poderes desavindos vão se entender à pretexto de salvar o Brasil. Mas só eles serão salvos. É ver.

Oldebrecht redescobre o Brasil: Uno novo País de povo honesto guardado por assaltantes em todas as esquinas - Gilvan Freire



 
Em qualquer lugar onde morar um brasileiro dentro do país, que não pertença às organizações criminosas que se multiplicam e se diversificam com progresso espantoso por causa da ausência do Estado, estará uma vítima da criminalidade.

Não há uma só pessoa do povo no Brasil, entre os que não são favorecidos pelo crime e seus tentáculos , que também não tenha perdido alguma coisa que era de seu direito ou de seu legítimo interesse, desviada pelas ações dos criminosos.

Mas, de todos os aparelhos dos mais diferentes tipos de prática delinquente , o mais invasivo e de maior e mais amplo potencial ofensivo é o da criminalidade pública, baseada nos agentes do Estado, em todos os Poderes, saqueando o Tesouro.

O Tesouro é o cofre do povo, onde são depositados seus impostos e sacrifícios financeiros , a fim de que os Poderes os redistribua através da realização das obras do bem comum, especialmente entre os pobres, na busca de uma vida social justa.

Nos últimos anos, por conta da Lava Jato e Moro, estamos redescobrindo um país diferente do que estava nas aparências, onde gestores e servidores públicos , líderes políticos e outros gângster privados se unem para estourar os cofres do povo.

Mas chegou a grande hora do redescobrimento : a delação coletiva da ODEBRECHT e do master-gênio Marcelo, chefe dos chefes do Cartel do Propinoduto que explodiu a Petrobrás e outras dezenas de ricas empresas e órgãos estatais, vítimas indefesas.
Daqui para frente pouca gente se esconderá de seus próprios crimes ou alegará cinicamente inocência para fugir da ira coletiva. Nem culpará juízes e investigadores pela justeza das punições que haverão de sofrer. Esse novo Brasil tem mais futuro do que o velho país. Mas ainda é preciso achar quem tome conta dele.

Os coiotes da Câmara agiram de madrugada, quando seus caçadores dormiam e o povo não vigiava seus galinheiros - Gilvan Freire



 
Mamífero da família dos canídeos, parente próximo dos cachorros e das raposas, perecidos demais com eles, os coiotes são animais sagazes que se alimentam de caças, carnes e carniças . Pequenos animais ferozes, os coiotes saem à noite em bandos, as matilhas, e, se alguma pessoa se aproxima, eles atacam.

Foi na madrugada desta quarta-feira que deputados federais, fora dos holofotes atentos da grande imprensa livre do país, a mesma que descobriu os esconderijos e raposais desses animais caninos que transformaram os cofres públicos em carniça nos últimos tempos, prepararam armadilhas para pegar seus caçadores.

É verdade que galinhas não devem descansar no galinheiro enquanto as raposas se reunem em seu território, assim como caçadores de coiotes não podem relaxar em sua guarda quando as matilhas estão rondando sob cerco e amedrontadas diante da ameaça de extermínio.

Mas, daí a se admitir que a maioria parlamentar na Câmara Federal possa agir, mediante selvageria legislativa , no sentido de encurralar promotores e juízes encarregados de limpar o próprio parlamento de suas carniças internas e higienizar o país de sua imensa e insuportável fedentina, é demais da conta.

Esse espetáculo deprimente de uivos madrugais e festa noturna, como se fossem as penúltimas coisas a serem feitas pelos caninos em suas agitadas matilhas atacadas de morte, é um ritual mal-assombrado e arrepiador. Mas as povoações indefesas se levantarão a favor dos caçadores, e não dos coiotes.

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