Anatomia do amor - Tom Coelho



 

Coloque de lado problemas, ansiedades e angústias que regem nosso cotidiano para refletir sobre o que realmente importa: o amor e as relações afetivas que regem sua vida.

O amor está no olhar, naquele brilho especial e único facilmente reconhecido por qualquer pessoa que esteja no entorno a observar. O amor está nos ouvidos, na capacidade de escutar, e não apenas de ouvir. O amor está no olfato, na fragrância da pessoa amada. O amor está no paladar, no sabor e prazer de um beijo que acelera o pulso e que idealmente não deveria ter fim. O amor está no toque, em bocas que se encontram, braços que se enlaçam, corpos que se aquecem.

Amar é tolerância e concessão. Não é receber, é dar, desejando o bem ao outro. É viver com intensidade e saber lidar com a dor, o sofrimento e a frustração. É ser melhor com o outro, ao lado do outro. O amor se aprende: quanto mais se conhece, mais se ama. O amor se desenvolve: quanto mais se desfruta, mais cresce. O amor se vive: com acolhimento, carinho e generosidade.

Leia na íntegra: "Anatomia do amor".

Tom Coelho é especialista em gestão de pessoas e negócios. Escreve sobre temas do mundo corporativo e atualidades. É empresário, diretor do Núcleo de Jovens Empreendedores do Ciesp e membro do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp. É autor de 9 livros e detém 25 anos de experiência no mundo empresarial.

Tragédia não é fatalidade - Tom Coelho



 "A vida dentro de nós tem uma imensa força de superação. 

As tragédias serão superadas e o riso renascerá depois das lágrimas."
(Rev. Melissa Bowers)


Sábado, 23 de janeiro, cidade de Cananéia, litoral sul de São Paulo. Um barco chamado Pérola Negra, com 21 pessoas, regressava de um passeio turístico quando naufragou, vitimando uma mulher e seu filho, de apenas quatro anos de idade.

Após o acidente, o piloto declarou à mídia que os passageiros se assustaram com o movimento das ondas, concentrando-se em apenas um lado da embarcação, desestabilizando-a e fazendo com que ele perdesse o controle, levando ao adornamento. Mentira!

Posso assegurar isso porque, exceção feita a um único casal, todos os demais ocupantes eram meus amigos. Inclusive eu e minha família não estávamos presentes por força do destino. Quase todas as mulheres e crianças adormeciam em uma área coberta do barco, de modo que é absolutamente improcedente esta argumentação.

O fato é que o piloto trafegava em velocidade incompatível com as condições do mar naquele momento. O barco, ao cortar uma onda mais elevada, descolou-se da água, inclinando no ar e naufragando. Metade dos passageiros foram lançados imediatamente ao mar enquanto os demais ficaram submersos por cerca de 20 minutos.

Há muitas lições que precisam ser extraídas deste episódio. Do contrário, em algumas semanas o ocorrido cairá no esquecimento, exceção feita àqueles diretamente envolvidos nesta tragédia.

Primeiro, é necessário que sejam definidos procedimentos básicos de segurança. Eu desafio você a visitar qualquer região costeira do litoral brasileiro e contratar o serviço de transporte em uma embarcação qualquer. Em nenhum momento o agente que faz a comercialização do serviço, a equipe de apoio em terra ou o piloto irão exigir a colocação de um colete salva-vidas. Aliás, os coletes sequer serão oferecidos sob o argumento de que estão disponíveis. Errado. Eles deveriam ser vestidos em todos os passageiros antes do embarque, observando-se o tamanho adequado à idade e perfil de cada tripulante. E quem manifestar resistência à sua utilização simplesmente não deveria embarcar!

É o mesmo princípio vigente no transporte aéreo. Se um passageiro não afivelar o cinto de segurança, travar a mesinha e retornar o encosto da poltrona para a posição vertical, um comissário tem autonomia para interromper a decolagem e proceder ao desembarque deste passageiro antes de retomar o voo.

Segundo, faltam orientações. É evidente que todos estão em estado de euforia, com a intenção de desfrutar do passeio. Mas os passageiros precisam ser informados sobre como proceder diante de situações diversas: uma chuva torrencial, um mar revolto, uma eventual colisão, um naufrágio...

Terceiro, não há infraestrutura. É indispensável em uma região turística a alocação de uma equipe de apoio para dar suporte em caso de incidentes. Um mergulhador minimamente treinado e equipado teria conseguido salvar as duas vidas perdidas.

Quarto, sobra prepotência e autoconfiança. O piloto em Cananéia declara ter mais de quinze anos de experiência. Infelizmente isso não é reconfortante, pois em dez anos atuando na área de segurança do trabalho observei que a maioria dos acidentes atinge profissionais com mais tempo de empresa. Isso acontece porque os novatos, devido à falta de experiência, são mais respeitosos e zelosos em relação a normas e procedimentos, pois além do desconhecimento ainda há o risco de uma demissão. Já os experts acham que sabem tudo, que dominam tudo, que podem tudo e que nada de errado irá lhes acontecer.

Quinto, falta fiscalização. Há relatos de que a Capitania dos Portos não visita aquela região há meses. Estamos em um país burocrático, repleto de leis, mas as que deveriam existir e ser seguidas são ignoradas e desrespeitadas. Não basta o barco ter seguro e documentação em dia: deve-se obedecer a procedimentos tais como os sugeridos acima. Como nossa sociedade respeita apenas o bolso, a solução é impingir multas elevadas em caso de negligência e desobediência.

Há outros temas que poderíamos abordar. Mas é imprescindível, em respeito à memória das duas vítimas e de sua família, que esta catástrofe sirva ao menos para evitar ocorrências similares no futuro. Tratar o ocorrido como fatalidade é uma imprudência. Uma fatalidade pode ser trágica, mas uma tragédia não precisa ser fatal.


Adendo 1: O hábito de manter coletes salva-vidas no piso da embarcação, além de contraproducente, foi um fator agravante no caso de Cananéia, pois eles ficaram boiando e reduzindo o espaço disponível para as pessoas que estavam submersas, dificultando a já comprometida respiração.

Adendo 2: Deve haver prévia orientação para, em caso de submersão, os coletes vestidos serem retirados, pois nesta situação será necessário mergulhar para sair do espaço confinado. Por isso, alguns podem argumentar pela não-obrigatoriedade do uso do colete. Fazendo uma analogia com automóveis, já houve óbito de pessoas que não conseguiram desconectar o cinto para sair do veículo em caso de um incêndio, por exemplo. Mas isso não justifica defender o não-uso do cinto de segurança.


Data de publicação: 26/01/2016


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. Contato: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

Chega de angústia * por Tom Coelho



 

Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.”
(Roberto Crema)

Eu poderia desejar-lhe um tradicional “Feliz Natal”, mas isso garantiria não mais do que dois dias de felicidade. Já votos protocolares de “Boas Festas” se estenderiam por apenas uma semana. Por isso, quero desejar a você algo capaz de perdurar por todo um ano: chega de angústia!

Ansiedade e angústia tornaram-se companheiros indesejados. A ansiedade representa um estado de impaciência, de inquietação, um desejo recôndito de antecipar uma decisão, de abreviar uma resposta, de aplacar expectativas.

A angústia é uma sensação de desconforto, um mal-estar físico que oprime a garganta, comprime o diafragma, acelera o pulso, e um mal-estar psíquico que aflige, agoniza, atormenta.

A ansiedade é um tempo que não chega; a angústia, um tempo que não vai embora.

Amantes que aguardam pelo encontro é ansiedade; relacionamentos desgastados que não terminam é angústia. O prenúncio do final de semana para um pai divorciado é ansiedade; a despedida dos filhos no domingo é angústia. A espera pelo resultado de um concurso é ansiedade; ter seu nome classificado em uma lista de espera é angústia. A expectativa do primeiro dia de trabalho é ansiedade; o fim do expediente que demora é angústia.

Ficamos angustiados por opção, por força de nossas próprias escolhas, por causa de coisas e pessoas. Assumimos compromissos financeiros que não podemos saldar, adquirimos bens pelos quais não podemos pagar. Tudo em busca de status. Compramos o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para mostrar a quem não gostamos uma pessoa que não somos. O ato da compra é sublime e fugaz. A obrigação decorrente é amarga e duradoura. E angustiante.

Muitas são as pessoas que nos angustiam com suas argumentações, pleitos ou mera presença. O telefone toca e ao identificar o número você hesita em atender. Uma visita é anunciada e sua vontade é simplesmente mandar dizer que não está.

De tanto cultivar a ansiedade, de tanto se permitir a angústia, colhemos a depressão. Então lançamos mão de um comprimido de Prozac e fingimos estar tudo bem.

Por isso, meu convite é para que você dê um basta em sua angústia. Demita de sua vida quem e o que não lhe faz bem. Pode ser um cliente chato ou um fornecedor desatencioso; um amigo supostamente leal, porém, na verdade, um interesseiro contumaz; ou um amor não correspondido.

Tome iniciativas que você tem protelado. Relacione tarefas pendentes e programe datas para conclusão. Limpe gavetas, elimine arquivos desnecessários. Revise sua agenda de contatos e sua coleção de cartões de visita, rejeitando quem você nem mais conhece – e que talvez nunca tenha conhecido.

Vá ao encontro de quem você gosta para demonstrar-lhe sua afeição. Peça perdão a quem se diz magoado com você, mesmo acreditando não tê-lo feito. Ofereça flores, uma canção, um abraço e um aperto de mãos. Ofereça seus ouvidos e sua atenção.

A vida é breve e parece estar cada vez mais curta porque o tempo escorre-nos pelas mãos. Compromissos inadiáveis, reuniões intermináveis, trânsito insuportável. Refeições em fast food, decisões fast track, relacionamentos fast love. Cotidiano que sufoca, reprime, deprime.

Caminhar pelas ruas, admirar a lua, contar estrelas, observar o desenho que as nuvens formam no céu. Encontrar amigos, saborear os alimentos, apreciar os filhos. Escolha ficar mais leve, viver com serenidade. Libere o peso angustiante que carrega em suas costas. Viva, não apenas se deixe viver.


* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

Cuide de sua vida - Tom Coelho



A maioria de nós prefere olhar para fora
e não para dentro de si mesmo."
(Albert Einstein)


Observe a chegada da prova de 100 metros no Mundial de Atletismo de Pequim, na qual o jamaicano Usain Bolt venceu o norte-americano Justin Gatlin por apenas 1 centésimo de segundo. Enquanto Bolt projeta a cabeça para frente, na linha de chegada, Gatlin a inclina para a esquerda, possivelmente tentando observar com visão periférica o desempenho de seu adversário.

É evidente que a ínfima diferença de tempo que determinou campeão e vice decorreu de aspectos diversos, desde a largada, com o tempo de reação na saída dos blocos, passando pelo desempenho durante a fase de aceleração até a chegada. Porém, é possível que o americano ganhasse aquele único centésimo se tivesse focado exclusivamente em si, em vez de se preocupar com o concorrente...

Isso remete a uma lição válida para todos nós, seja na vida pessoal ou profissional: olhe menos para os lados e procure cuidar de sua própria vida para alcançar o almejado sucesso.

No mundo corporativo, é muito comum vermos a inveja preconizar quando alguém recebe um elogio ou uma promoção. O que poderia funcionar como inspiração, oferecendo lições a serem compartilhadas para o autodesenvolvimento de todos, alimenta um comportamento egoísta, provocando reflexões como “Por que não fui eu a pessoa contemplada?”, ou ainda pior, “Esta pessoa não merecia tal reconhecimento!”.

Por isso, lembre-se do seguinte. Aprenda a olhar para frente, vislumbrando seu futuro, pois é lá que você passará o resto de sua vida. Imagine-se um, cinco, dez, vinte e cinco anos adiante e responda a si mesmo o que estará fazendo, quem estará ao seu lado, quais serão suas conquistas e, fundamentalmente, qual o legado que estará construindo.

É válido também olhar eventualmente para os lados desde que para aprender com seus pares e, desta forma, impulsionar sua trajetória.

Porém, jamais se esqueça de olhar para trás, não com o intuito de contemplar de forma melancólica o passado (diz um provérbio russo que “ter saudades do que já passou é correr atrás do vento”) mas sim de observar o quanto do caminho já percorreu, enaltecendo suas vitórias, saboreando os frutos de sua evolução, aprendendo a deixar para trás tudo o que não precisa carregar consigo, como mágoas, ressentimentos e frustrações.

Ouça sua intuição e siga as batidas de seu coração!


Data de publicação: 28/08/2015


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. Contato: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

O filho e o pai * por Tom Coelho



 O filho e o pai
* por Tom Coelho

“Espera de teu filho o mesmo que fizeste a teu pai.”
(Tales de Mileto)


Tenho uma natureza minimalista. Talvez porque forjado pelas adversidades da vida e pela vocação para lidar com gente, não tenho apego a coisas. Acredito que a simplicidade é a quinta-essência da extravagância e a melhor das ostentações.

Este deve ser um dos motivos pelos quais ignoro quase todas as datas comemorativas, devido ao caráter comercial que as envolve. Contudo, algumas ocasiões funcionam como uma fenda no tempo, abrindo espaço em nossas concorridas agendas para resgatar sentimentos e emoções – o Dia dos Pais é exemplo disso.

Em 2009 perdi meu pai, vitimado por um câncer que evoluiu de forma silenciosa e imperceptível, sendo diagnosticado tardiamente e já em fase de metástase. Lutamos bravamente por quatro longos e intensos meses, com uma esperança incontestável. Ao final, restou-nos o consolo de que seu sofrimento fora breve.

Deste episódio, ficou a lição de como lidar com as perdas, posto que não estamos habituados a elas, sejam materiais ou não. Querer e não poder é desagradável, mas ter e perder é doloroso. Isso vale para dinheiro no bolso, um cargo executivo, uma partida jogada ou um amor que se despede. Por isso, relembrar meu pai remete não apenas à saudade, mas ao aprendizado de conviver com uma dor que não passa, mas à qual se acostuma...

Como ele faleceu precisamente dois dias antes do nascimento de minha filha, convivi em apenas 48 horas com tristeza e alegria, dor e deleite, choro e riso. A propósito, seus últimos ensinamentos foram legados à neta que não pôde conhecer. Assim, quando já debilitado fisicamente não mais conseguia caminhar com suas próprias pernas, e eu tinha que ampará-lo, era como se prenunciasse os dias futuros em que ensinaria minha filha a caminhar. Também tive que ajudá-lo a tomar banho, assear-se, vestir-se e alimentar-se, tal como faria dias depois com um recém-nascido.

Mas este é o olhar do filho, que deve ser complementado pelo olhar do pai.

De meus filhos mais velhos, Gabriel e Matheus, rememoro a lição da relatividade do tempo. Não, não se trata da teoria física. Falo da qualidade das relações interpessoais. Minha separação conjugal determinou que, como de hábito, eu ficasse com os garotos em finais de semana alternados. Isso significava dois dias a cada 15, ou seja, entre 36 e 48 horas a cada duas semanas, dependendo de eu estar em companhia deles a partir de uma sexta-feira à noite ou de um sábado pela manhã. Esses longos intervalos ensinaram-me que era possível ser um pai melhor e mais presente em um simples final de semana do que eu fora antes, convivendo todos os dias sob o mesmo teto. A relatividade da quantidade versus qualidade.

Da pequena Liz, minha filha mais nova contando pouco mais de cinco anos de idade, veio a oportunidade singular de exercitar meu papel de pai, redimindo-me dos erros cometidos no passado, substituindo a ausência pela presença e o provimento material pela educação, carinho e afeto permanentes.

Parafraseando Katherine Hadley, “A decisão de ter um filho é aceitar que seu coração irá para sempre estar fora do seu corpo”. Por isso, sinto-me completo apenas quando na companhia destas minhas crianças...


* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de sete livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

 

Feliz 2018! - Tom Coelho




“O futuro dependerá daquilo que fizermos no presente."
(Gandhi)

Sejamos honestos: estamos atravessando um momento econômico comparável à década perdida dos anos de 1980 e um momento político similar ao vivenciado no início dos anos de 1990.

Do ponto de vista econômico, vamos acabar com esta balela de que falar em crise é sinônimo de pessimismo ou mau humor. Também vamos colocar de lado a retórica de que crise é sinal de oportunidade, ainda que evidentemente alguns setores possam se beneficiar desta conjuntura. O clichê do momento é a frase da obra de Nizan Guanaes: “Enquanto eles choram, eu vendo lenços”. O problema é que falta capital para fabricar lenços e faltam compradores para o produto.

Estamos diante de uma autêntica estagflação, ou seja, retração econômica, com projeção de queda do PIB entre 1 e 2% neste ano, associada à elevação dos índices de desemprego e uma inflação galopante decorrente de aumento das tarifas públicas e desvalorização do real. Na verdade, estamos colhendo os frutos de nossa baixa competitividade ocasionada pela conjunção de três fatores fundamentais: elevada tributação, falta de infraestrutura e baixa produtividade.

Temos uma carga tributária da ordem de 36% do PIB, uma das maiores do mundo, porém sem as devidas contrapartidas do ponto de vista da prestação de serviços públicos. Segundo o Portal Tributário, são 92 tipos de impostos, contribuições ou taxas. O cidadão de baixa renda acredita que não paga impostos por não sofrer retenção de IR no holerite, mas não sabe que um medicamento é tributado em 34%, um shampoo contém 44% de imposto, e um saco de arroz ou de feijão outros 17%, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Nossa infraestrutura é precária. É fácil culpar a falta de chuvas para justificar a crise hídrica. E só não sofremos um apagão elétrico devido à queda na atividade econômica. Transportamos cargas por via rodoviária quando poderíamos ter adotado hidrovias ou o transporte ferroviário. Um importador demora três dias para ser informado do desembarque de sua carga no porto. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 55% dos brasileiros são atendidos por rede de esgoto. Falta-nos planejamento para otimização de recursos.

Já a produtividade é lastimável graças à educação medíocre que despeja uma legião de analfabetos funcionais no mercado de trabalho. Apenas para exemplificar, segundo relatório do Conference Board, organização que reúne mais de 1200 empresas de 60 países, um trabalhador norte-americano produz o equivalente a quatro brasileiros. É preciso dizer algo mais?

Sob a ótica política, façamos uma análise lúcida e apartidária. A atual presidente não tem maioria no Congresso, conta com apenas 10% de taxa de aprovação e está pagando o preço dos ajustes postergados no passado para garantir sua reeleição. Já a oposição continua em busca de um “Fiat Elba” (alusão ao estopim que levou à queda de Fernando Collor em 1990, muito diferente dos Porsche, Ferrari e Lamborghini apreendidos recentemente) capaz de endossar juridicamente um pedido de impeachment ao mesmo tempo em que não demonstra interesse em acelerar tal processo, pois quanto mais a crise se aprofundar, maior será o desgaste do atual governo, elevando as possibilidades de êxito nos próximos pleitos – a começar pelas eleições municipais do próximo ano.

Acrescente a este receituário outros fatores como a queda no preço das commodities, aumento do dólar, a bomba-relógio da previdência social, os reajustes do funcionalismo público e a crise de valores.

Diante deste cenário, não há boas perspectivas no curto prazo. As ações para reversão deste quadro dependem da superação do egoísmo e da vaidade política que assola este país. É necessária uma coalizão nacional capaz de promover as mudanças minimamente necessárias para que possamos começar a colher os resultados em 2017 ou 2018. O grande equívoco é esperar que as coisas resolvam-se por si mesmas, acreditando que, definitivamente, Deus é brasileiro...

Tom CoelhoTom Coelho
Educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras.
Contatos: (11) 4612-1012; email: tomcoelho@tomcoelho.com.br; site: www.tomcoelho.com

Faltam heróis * por Tom Coelho



 “A escolha dos heróis diz muito

sobre a sociedade que os escolhe."

(Ricardo Bonalume Neto)

Quem é Neymar Jr.?

Para o mundo do futebol, é o maior jogador brasileiro da atualidade, com uma habilidade ímpar, capaz de fazer a diferença entre a vitória e a derrota, inclusive para a seleção canarinho.

Para a mídia, é um personagem tido como de elevado carisma, com 52 milhões de seguidores no Facebook e 19 milhões no Twitter, garantindo repercussão às marcas que o patrocinam.

De fato, ele pode ser tudo isso, mas definitivamente não é um herói tal como postulado por aqueles que buscam em alguém com exposição pública uma referência, uma pessoa notável capaz de influenciar e criar conceitos, tornando-se um autêntico paradigma.

No universo dos esportes, é fácil exemplificar este ideal a partir de Ayrton Senna. Mais de vinte anos se passaram e não conseguimos eleger um representante à altura.

Um herói, por definição, carrega consigo valores dignos de admiração, como integridade, generosidade e altruísmo. Neymar é um individualista por natureza, com comportamentos tomados pela vaidade e o benefício próprio – basta observar suas mensagens nas redes sociais, regadas por selfies e campanhas publicitárias.

E a ética não é um de seus fundamentos. Não me refiro apenas à sua contestada transferência para o Barcelona, mas à sua postura em campo. Apenas para exemplificar, recentemente, na final da Champions League, teve um gol anulado pelo fato de a bola ter batido em sua mão. Durante a argumentação com o juiz, tentou convencê-lo de que a bola havia tocado em seu ombro... É compreensível: seu desejo de vencer o leva a acreditar que os fins justificam os meios. Compreensível, mas não justificável.

Esta escassez de heróis evidentemente expande-se para outros cenários. Seja no mundo corporativo, onde faltam líderes autênticos, passando pela vida pessoal, onde os pais, os mais legítimos ícones para os próprios filhos, mostram-se cada vez mais ausentes da

educação dos mesmos. Falta convivência para instruir, faltam exemplos para compartilhar.

No cenário político, os heróis seriam os chamados estadistas, pessoas capazes de exercer a liderança acima de interesses pessoais e partidários. Entretanto, o que temos hoje são apenas políticos preocupados exclusivamente com o próximo pleito, seja para a reeleição, quando possível, ou para fazer seu sucessor. O estadista pensa na próxima geração; o político, na próxima eleição. O estadista edifica o futuro; o político, sua perpetuação no poder.

Precisamos de heróis. Não trajando fardas, capas e máscaras, mas sim vestindo o manto do inconformismo, com um interesse genuíno em provocar mudanças capazes de transformar positivamente o meio e deixar um legado.

Quem se habilita?

* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

Texto para Facebook, Google e Linkedin

Neymar Jr. é o grande destaque do futebol brasileiro na atualidade. E com 52 milhões de seguidores no Facebook e 19 milhões no Twitter, exemplo de carisma para a mídia. Mas definitivamente não é um herói tal como postulado por aqueles que buscam em alguém com exposição pública uma referência. Simplesmente porque é um individualista por natureza, tomado pela vaidade e por comportamentos pouco éticos.

Vivemos tempos de escassez de heróis. No mundo corporativo, faltam líderes autênticos. Na vida pessoal, pais mostram-se cada vez mais ausentes da educação dos filhos. No cenário político, faltam estadistas.

Os deveres do poder público * por Tom Coelho



“Cada povo tem o governo que merece.”

(Joseph-Marie Maistre, filósofo francês, em 1811)

Há anos a administração pública em nosso país, em todas as esferas de governo, tem terceirizado aos cidadãos suas atribuições básicas.

Assim, é impraticável abrir mão de um convênio médico e odontológico, ficando à mercê do sistema público de saúde, formado por hospitais lotados, carência de médicos e espera superior a três meses para uma simples consulta.

O mesmo se aplica à educação. Para oferecer um ensino de qualidade aos nossos filhos, precisamos recorrer a instituições privadas. E no mundo corporativo, cabe às empresas formar e capacitar os profissionais contratados, que chegam ao mercado de trabalho absolutamente despreparados, entregando baixa produtividade que impacta diretamente a competitividade. É o chamado “apagão da mão de obra”, decorrência direta dos analfabetos funcionais que têm sido despejados pelas escolas públicas e seu sistema de progressão continuada.

Com relação à segurança, outra das garantias previstas na Constituição Federal, temos que instalar alarme residencial, cerca elétrica e viver em condomínio, além de fazer seguro de nossos bens e, em breve, andar em carro blindado, selecionando criteriosamente os locais e horários para circular nas ruas.

Agora, diante da crise hídrica, será necessário instalar cisternas, poço artesiano ou ampliar a capacidade do reservatório existente, além de adaptar a tubulação interna para aproveitar a água de reuso. E para acessar a energia elétrica, teremos que adquirir gerador, instalar coletores de energia solar e também adaptar o sistema de distribuição desta fonte alternativa de energia.

O poder público tem o dever de agir, o que significa atender com celeridade aos interesses dos cidadãos, antecipando-se mediante planejamento às demandas essenciais. Tem o dever da eficiência, utilizando os recursos com efetividade e presteza. Tem o dever da probidade, agindo com ética, integridade e retidão. E tem o dever de prestar contas, atestando a prática dos deveres mencionados anteriormente.

Contudo, o que temos observado, salvo raras exceções, é a inépcia administrativa e o saqueamento do erário. Tudo isso com a população arcando com uma carga tributária de “apenas” 37% do PIB.

Qual o limite de nossa leniência? Até quando iremos suportar tanta negligência e omissão? Ou estaremos fadados a um retrocesso contínuo e progressivo, até o colapso social?

* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

Texto para Facebook e Google 1

Há anos a administração pública em nosso país tem terceirizado aos cidadãos suas atribuições básicas. Assim, precisamos fazer convênio médico para não depender do SUS, buscar escolas privadas para ter uma educação de qualidade, proteger-nos contra a insegurança das ruas.

Agora, diante da crise hídrica, será necessário instalar cisternas para aproveitar a água de reuso. E para acessar a energia elétrica, teremos que adquirir gerador, instalar coletores de energia solar e adaptar o sistema de distribuição desta fonte alternativa de energia.

Leia “Os deveres do poder público”: http://vejatom.com/artigo260.

Texto para Facebook e Google 2

O poder público tem o dever de agir, o que significa atender com celeridade aos interesses dos cidadãos, antecipando-se mediante planejamento às demandas essenciais. Tem o dever da eficiência, utilizando os recursos com efetividade e presteza. Tem o dever da probidade, agindo com ética, integridade e retidão. E tem o dever de prestar contas, atestando a prática dos deveres mencionados anteriormente.

Contudo, o que temos observado, salvo raras exceções, é a inépcia administrativa e o saqueamento do erário. Tudo isso com a população arcando com uma carga tributária de “apenas” 37% do PIB.

Qual o limite de nossa leniência? Até quando iremos suportar tanta negligência e omissão? Ou estaremos fadados a um retrocesso contínuo e progressivo, até o colapso social?

Leia “Os deveres do poder público”: http://vejatom.com/artigo260.

Texto para Linkedin

O Estado tem terceirizado aos cidadãos suas atribuições básicas. Assim, precisamos de convênio médico para não depender do SUS, escolas privadas para uma educação de qualidade e, agora, construir cisternas para ter acesso à água.

O poder público tem o dever de agir com celeridade pelos interesses dos cidadãos; o dever da eficiência, utilizando recursos com efetividade; o dever da probidade, agindo com ética,

integridade e retidão. Porém, o que temos observado é a inépcia administrativa e o saqueamento do erário.

Gestão empresarial em tempos de crise * por Tom Coelho



 Gestão empresarial em tempos de crise

* por Tom Coelho

“Gestão e sobrevivência andam lado a lado.”

(Joseph Carvalho)

Nossa atual conjuntura aponta para uma queda do PIB da ordem de 1 a 2% este ano. A inflação ultrapassou a meta definida, os gastos públicos bateram recorde, voltamos a ter déficit nas transações internacionais, a renda per capita encolheu e a indústria perde continuamente participação no PIB nacional.

Economistas e cientistas políticos concordam que a correção da rota passa pelas reformas política, fiscal e tributária. O governo precisa elevar sua poupança, reduzir os gastos da máquina e ao mesmo tempo investir em infraestrutura; necessita aumentar a arrecadação, mas diminuir a carga tributária para estimular a produção e elevar a competitividade.

Enquanto estes impasses são discutidos, cabe aos empresários cuidarem de seus próprios negócios. Afinal, a macroeconomia tem impacto no longo prazo e a gestão microeconômica tem que ser feita aqui e agora. Seguem sete passos para reflexão:

1. Repensar o negócio. Analise seus produtos e/ou serviços considerando as demandas dos consumidores e as ações de sua concorrência. Você poderá concluir que é hora de reduzir seu portfólio, enfatizando os itens mais expressivos onde sua competitividade seja maior, ou ampliar a carteira, buscando atingir novos nichos de mercado.

2. Planejar. Elabore um plano estratégico para um horizonte mínimo de doze meses, tendo em vista três cenários possíveis: estagnação, com manutenção das vendas obtidas no decorrer deste ano; retração, com queda nos resultados; e evolução, com crescimento do faturamento. Prepare-se para agir diante de qualquer situação conjuntural.

3. Reduzir custos. Verifique todos os seus processos, de administrativos a operacionais, a fim de identificar meios para cortar custos sem evidentemente impactar a qualidade. Isso poderá conduzir à necessidade de investimentos em infraestrutura possibilitando elevar a efetividade, ou seja, fazer mais e melhor com menos recursos físicos e financeiros, envolvendo também menos tempo e pessoas.

4. Administrar as finanças. A falta de capital de giro é um dos maiores problemas corporativos, em especial das empresas de pequeno e médio porte. Por isso, é

necessário ter austeridade na gestão do caixa. Isso significa cuidado na obtenção de crédito e vigília constante dos índices de endividamento, pois é impossível vencer os juros compostos. Atenção também com as vendas a prazo e com o sistema de cobrança dos inadimplentes.

5. Capacitar a equipe. O caminho para elevar a produtividade e, consequentemente, a competitividade, passa pelo investimento em sua equipe. Considerando-se o baixo nível de preparo com que os profissionais chegam ao mercado, decorrência direta da qualidade de nosso ensino, cabe a você instruir, treinar e desenvolver seus funcionários. Assegure-se de que estão alinhados à cultura de sua empresa, que conhecem seus produtos e/ou serviços, e que entregam aos clientes internos e externos um atendimento exemplar. Trabalhe para elevar o nível de engajamento dos mesmos, através de políticas de remuneração variável baseadas no êxito, programas de reconhecimento e valorização e construção de um clima organizacional próspero. E, como sempre digo, lembre-se: contrate devagar, mas demita rápido.

6. Vender mais. O coração de qualquer empresa está no departamento comercial, responsável pela origem das receitas. Para apoiá-lo, acione os mais diversos instrumentos de marketing, buscando mostrar-se ao mercado e difundir seus diferenciais. Você pode optar por campanhas para promover o desejo e o impulso do consumidor por seu produto e/ou serviço, ou ações mais institucionais capazes de potencializar a credibilidade e a reputação da marca. Escolha os meios e veículos adequados para divulgação e não desconsidere a força das mídias sociais.

7. Administrar impostos. Quanto mais competitivo for o seu mercado de atuação, impondo margens menores que exigem volumes crescentes para alcançar resultados satisfatórios, mais relevante será o cuidado com a carga tributária que impacta o seu negócio. Assim, consulte seu contador sobre a viabilidade em alterar seu regime de tributação do lucro real para o presumido ou aderir ao Simples. Considere também a possibilidade de desmembrar sua companhia em duas, ambas optantes pelo Simples, a fim de distribuir o faturamento e usufruir de alíquotas reduzidas. Consulte também outras formas de elisão fiscal (redução legal de tributos).

Todas estas ações básicas são essenciais para perseguir a sustentabilidade de seu negócio, embora não sejam as únicas, nem tampouco garantia plena de sucesso. Mas elas estão ao seu alcance e independem das decisões tomadas em âmbito político.

* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de sete livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

Texto para Facebook e Google

Se o término das eleições definiu o cenário político para os próximos anos, o mesmo não se pode dizer com relação às perspectivas econômicas, cujo quadro sinaliza para um 2015 com muitas dificuldades. Assim, cabe aos empresários cuidarem de seus negócios, enquanto aguardam investimentos em infraestrutura, redução da carga tributária e o ajuste fiscal do governo. Sete providências essenciais:

1. Repensar o negócio, avaliando mercado e concorrência.

2. Planejar, elaborando um plano estratégico.

3. Reduzir custos, de administrativos a operacionais.

4. Administrar as finanças, com austeridade na concessão e captação de crédito.

5. Capacitar a equipe, para elevar a produtividade e aumentar a retenção.

6. Vender mais, com o apoio de ações de marketing.

7. Administrar impostos, praticando elisão fiscal.

Leia “Gestão empresarial em temos de crise”: http://vejatom.com/artigo256.

Texto para Linkedin

O término das eleições definiu o cenário político para os próximos anos, mas as perspectivas econômicas sinalizam para um 2015 com muitas dificuldades. Assim, cabe aos empresários cuidarem de seus negócios, enquanto aguardam investimentos em infraestrutura, redução da carga tributária e o ajuste fiscal do governo. Sete providências essenciais:

1. Repensar o negócio.

2. Planejar.

3. Reduzir custos.

4. Administrar as finanças.

5. Capacitar a equipe.

6. Vender mais.

7. Administrar impostos.

Leia “Gestão empresarial em temos de crise”: http://vejatom.com/artigo256.

Texto para Twitter

Gestão empresarial em tempos de crise: http://vejatom.com/artigo256

Frases

Macroeconomia tem impacto no longo prazo. Gestão microeconômica tem que ser feita aqui e agora. (Tom Coelho)

Contrate devagar, mas demita rápido. (Tom Coelho)

Ensaio sobre a amizade * por Tom Coelho



“A gente só conhece bem as coisas que cativou.
Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas.
Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos.
Se tu queres um amigo, cativa-o!”
(Antoine de Saint-Exupéry, em “O pequeno príncipe”)


Quando crianças, temos um mundo inteiro para descobrir e explorar. E este mundo parece não ter fronteiras, tamanha sua vastidão. Olhamos ao redor e tudo o que vemos é a linha do horizonte.

Mas há um aspecto muito bem delimitado. Ele corresponde à amizade. Nossos amigos são poucos e estão sempre próximos. Acompanham-nos à escola, curtem o recreio conosco, partilham a merenda. Ao lado deles fazemos as tarefas, estudamos para as provas, praticamos esportes e brincamos.

A idade avança e somos contemplados com o rótulo de adultos. Mudam nossos propósitos, responsabilidades e prioridades. E, quase que invariavelmente, também mudamos de casa, de bairro, talvez de município, Estado ou mesmo país.

Nosso mundo, agora, fica bem delineado. Passamos a tratar com mais e mais pessoas e, paradoxalmente, cultivamos menos amizades porque nossas relações são todas marcadas com o lacre da superficialidade.

Pessoas entram e saem de nossas vidas. Muitos se tornam nossos conhecidos, de um vizinho que mora na casa ao lado ou no apartamento do andar de cima, a profissionais que vemos em reuniões de negócios ou congressos. Sobre estes, pouco ou nada sabemos, nem mesmo o nome.

Já alguns viram nossos colegas. Dividem o tempo e o espaço conosco, sobretudo no ambiente de trabalho. Por conta deste vínculo, temos objetivos comuns, metas a serem alcançadas, até valores corporativos alinhados. Sabemos seus nomes, seus cargos, suas atribuições, mas podemos conviver por anos separados por uma única divisória ou porta sem conhecer suas preferências, sua família, sua história de vida.

De tanto refletir, descobri algumas coisas que dizem respeito à amizade.

Amigos são pessoas que compartilham com alegria as nossas vitórias, mas que nos acolhem despretensiosamente nos maus momentos. Nós os descobrimos na adversidade e na infelicidade. São apoiadores por natureza, mesmo quando discordam de nossas posições. Bons ouvintes, concedem-nos atenção e sabem que muitas vezes não queremos opiniões ou comentários, mas apenas sermos ouvidos com paciência.

Adeptos da diversidade, pouco lhes importa aspectos como raça, credo ou condição socioeconômica, pois respeitam nossas diferenças antes mesmo de desfrutar as semelhanças. Surpreendem-nos com regularidade e são admiráveis confidentes, compartilhando seus segredos – e os nossos.

Não existem bons ou maus amigos, sinceros ou dissimulados. Por definição, um amigo é verdadeiro, honesto, leal e digno de honra e admiração. Lembro-me de Publius Syrus: “A amizade que acaba nunca principiou”.

Melhor do que conquistar novos amigos é conservar os velhos. Por isso, visite seus amigos com frequência. Os escandinavos dizem que o mato cresce depressa nos caminhos pouco percorridos.

Relacionamentos não se constroem por telefone ou e-mail. São bons expedientes para manter uma amizade, mas precisamos mesmo é estar “cara a cara” com as pessoas que apreciamos. Olhos que brilham, braços que envolvem, palavras que acalentam. Vale o alerta de Fred Kushner: “Eu deveria ter visitado mais meus amigos e lhes contado como me sentia em vez de só encontrá-los em enterros”.

A amizade torna as pessoas mais amenas, gentis, generosas e felizes. Mas, para ter amigos, é preciso antes ser um. E isso envolve atitude...

Começar junto e terminar junto. Assim se edifica uma sólida amizade.


* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

A farsa do Facebook * por Tom Coelho




“É mais fácil enganar uma multidão do que um homem."
(Heródoto)


Vou pontuar desde o início: este artigo é direcionado a todos que investem no Facebook como instrumento de marketing digital.

Esta mídia social, como muitas outras, são canais incríveis para cultivar relacionamentos. Desde os tempos do falecido Orkut, tive a oportunidade de resgatar amizades perdidas ao longo dos anos graças a estas redes sociais.

Com mais de 1 bilhão de usuários ativos no mundo, é natural que se procure gerar e potencializar negócios através do Facebook. Assim, empresas passaram a utilizar o chamado Face Ads, destinando uma verba mensal para promover seus “posts”, buscando aumentar o número de “seguidores” e de “curtidas”. A pergunta é: “Qual a efetividade desta estratégia?”.

Vamos aos fatos. Primeiro, não importa quantos seguidores você tenha, o alcance chamado “orgânico”, ou seja, sem ônus, de qualquer mensagem postada, tem sido cada vez mais irrisório. Então, você opta por investir na publicação, deparando-se com números de alcance estonteantes – e falsos. Vou apresentar alguns dados estatísticos para respaldar minha tese.

Analisei apenas os últimos 10 posts patrocinados em minha página. O valor médio investido foi de R$ 17,32. O alcance médio de cada um foi de 14.639 pessoas. Então, você pode concluir que é um ótimo número, ou seja, gastar menos de vinte reais para atingir quase 15 mil pessoas, correto? Ledo engano, pois apenas 16 pessoas foram, de fato, impactadas na média, o que representa uma taxa de retorno de apenas 0,11% e um custo médio, por pessoa, de R$ 1,10.

Esta análise é possível porque todos os posts continham link para acesso através do qual o internauta poderia baixar um e-book, participar de um congresso virtual ou de eventos presenciais, tudo gratuitamente. Portanto, note o seguinte: eu não estava vendendo nada, não estava fazendo qualquer apelo comercial. O propósito de cada mensagem era compartilhar conhecimento ou entregar um benefício, sem qualquer ônus.

Os defensores deste instrumento poderão argumentar que R$ 1,10 por pessoa continua sendo um investimento mínimo. Porém, note que o fato de uma pessoa ter clicado no link não significa, evidentemente, que uma vez na página para a qual foi remetida, ela venha a consolidar o interesse naquele produto ou serviço.

Por fim, ressalto que tenho utilizado filtros na definição do perfil do público, segmentando-o com base em palavras-chaves específicas. Em um destes casos, em um post direcionado a profissionais de RH, o alcance atingiu 19 mil pessoas (lindo!), porém com apenas 12 míseros cliques, ao custo de R$ 3,93 cada!

Pessoalmente, tomei a decisão de não mais investir no Face Ads. Sinto-me ludibriado e lamento por quem se ilude com os números apresentados. Isso não significa que esta mídia não possa trazer resultados. É claro que pode, desde que se coloque um caminhão de dinheiro. Mas grandes investimentos geram resultados de qualquer forma, em qualquer iniciativa de marketing.


* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

 

Dez anos de gratidão - Tom Coelho




"Aproveite bem as pequenas coisas.
Algum dia você vai saber que elas eram grandes."
(Robert Brault)


No dia 17 de fevereiro de 2005 recebi um e-mail de Cesar Foffá, publisher da Folha de Alphaville. Ele comentava que vinha acompanhando meus artigos por indicação de um amigo e, por apreciar o conteúdo dos mesmos, decidiu convidar-me para integrar sua equipe de colunistas.

Claro que aceitei prontamente! O primeiro texto, intitulado “Diálogos externos e internos” (você poderá lê-lo e AQUI), foi publicado naquele periódico no dia 18 de março, ou seja, há dez anos...

Naquela ocasião, eu iniciava uma nova trajetória profissional, deixando o setor industrial para atuar em educação corporativa. Enquanto escritor, havia publicado 67 artigos. Como palestrante, havia realizado 50 apresentações, mais da metade delas de forma gratuita, em busca de divulgar minha imagem e meu trabalho.

Hoje, uma década depois, redigir este texto representou um momento singular para reflexão. Foram 265 artigos e oito livros publicados, além de 617 palestras para um público presencial superior a 110 mil pessoas. Meus filhos tornaram-se universitários, casei-me novamente e tive uma nova filha, hoje com cinco anos. Meus cabelos rarearam, a barba começa a ficar branca e tive que voltar a usar óculos. Continuo atuando em diversas entidades e associações, interagindo com muita gente – boa e ruim – e conhecendo cada vez com mais profundidade e sensibilidade os problemas que afetam empresas, pessoas e nosso país.

Nesta ocasião, gostaria de compartilhar com você apenas três breves lições. Primeiro, sobre a importância de registrar fatos, guardar memórias e revivê-las no momento certo, sem apego, mas com o devido respeito. Assim, reler a mensagem enviada pelo meu amigo Cesar Foffá, devidamente arquivada em meu computador, é fazer uma viagem no tempo e resgatar no presente o mesmo entusiasmo e alegria do convite feito dez anos atrás.

Segundo, tenha cuidado com o que você fala ou escreve, pois nos tempos atuais, o alcance de um comentário, uma imagem ou um comportamento, tem abrangência incalculável, impactando positiva ou negativamente sua reputação, que é construída tijolo por tijolo, mas que pode ser demolida numa fração de segundos.

Finalmente, aprecie as conquistas. De vez em quando, pare tudo o que estiver fazendo e olhe para trás. Não pelo saudosismo ou para interromper sua trajetória, mas simplesmente para observar o quanto você já progrediu em sua caminhada. Como disse o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, "A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente”.

A todos os veículos, jornalistas e leitores, minha gratidão pelos anos transcorridos – e pelos próximos que ainda virão...


Data de publicação: 26/03/2015


Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. Contato: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

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