Quero ver os granfinos fugindo da morte - Padre Djacy Brasileiro



“Orai e vigiai, pois não sabeis nem o dia e nem a hora”, disse Jesus. Como é notório, todos chegaremos ao final de nossa existência, querendo ou não. É uma realidade transcendental pela qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores, doutos, analfabetos, famosos, latifundiários, Presidentes, Generais, Papas, gente besta do nariz empinado e os “não me toquem”. Não escapa ninguém. Graças a Deus! Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso, preparem-se para o encontro definitivo com Deus.

Infelizmente, nesta sociedade materialista, hedonista, consumista, por que não dizer, secularista, muitas pessoas poderosas, endinheiradas, cheias de vida, encasteladas nas suas vaidades, vivem como se não fossem morrer. A cada dia que passa preocupam-se mais e mais com status, beleza física, satisfação pessoal, poder, notoriedade e com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos, vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, lucrar mais, para isso, passam por cima dos valores ético-morais, explorando os pobres, praticando todo tipo de corrupção, sem contar com outras atitudes incompatíveis com a dignidade da pessoa humana. Para essa gente gananciosa, orgulhosa, vaidosa, vale a sentença bíblica: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade”.

Para esses “semideuses”, o que importa é o viver no aqui e agora. O pior, é que esse comportamento anticristão, desumano, é praticado muitas vezes, por pessoas que se dizem cristãs, que vão à igreja ou ao templo, leem a Bíblia, se confessam, recebem a Eucaristia louvam a Deus. Mais que hipocrisia desses cristãos! Eis o que diz Jesus: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor, será salvo”. Ora, até o diabo acredita em Deus.

Para que tanto apego às coisas desta vida efêmera? O que adianta tanto orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição, se a qualquer fração de segundo da vida, a pessoa pode desaparecer do “mapa”? : “Como sopro se acabam nossos anos. Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos”(Sl 89).

Há muitas pessoas que, pelo fato de ganhar bem, morar em mansões, ser possuidoras de diplomas, de anel de ouro no dedo (médicos, juízes, promotores, advogados, políticos, empresários, engenheiros etc.), ter bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade, só pisam no chão porque é o jeito e evitam contato direto, amigável, afável, com as pessoas pobres, simples, humildes, necessitadas, tratando-as com indiferença, arrogância, prepotência, como se esses queridos filhos de Deus não fossem pessoas humanas possuidoras de dignidade. Coitadas, a qualquer momento poderão bater as “botas”: “Como o sopro do vento é o homem, os seus dias são sombra que passa” (Salmo 143).

Muitas pessoas humildes, pobres, injustiçadas, vítimas de preconceitos, tratadas com desdém pela sociedade do ter e poder e também, infelizmente, por certas autoridades religiosas, comentam coisas que deixam meu coração de pastor dilacerado, partido. Comentários tristes, revoltantes. Tratam-se, indubitavelmente, de desabafos:

-Seu padre, eu tenho um primo, que agora é doutor, ganha muito, anda só de carrão, Agora seu padre, ele passa por nós, e nem dá um bom dia. O bicho tá todo orgulhoso. Passa por nós, como se nós não fosse família dele.

-Eu tenho uma prima rica, só anda de carro importado, uma vez eu tava numa festa e uma pessoa perguntou pra ela: fulana você é família desse camarada? Ah, seu padre, ela disse: ele ainda é parente de meu pai, mas bem distante. Nojenta, sou sobrinho do seu pai, pensei eu. Pense num desgosto. Antes, a gente andava de jumento pra roça, e hoje ,nem me conhece. Tá bom, entrego nas mãos de Deus.

-Padre, o médico me tratou mal. Ele mandou que eu me afastasse dele, eu não sei por que seu padre, eu acho que porque eu sou pobre. Isso foi numa consulta, padre.

-Seu padre, só porque sou pobre, não tenho nada na vida, fui mal recebido pelo juiz. Ele, seu padre, falava comigo gritando, e eu seu padre só fazia chorar. Depois, voltei para minha casinha, e minha filha de meu um chá prá eu me acalmar. Olha, padre, só porque eu só pobre, tenho certeza disso”.

-Meu querido padre, uma vez eu fui a casa de uma pessoa rica da cidade, e quando bati palma, fui logo ouvindo: o que é, o que foi, tá não, pode ir embora. Fiquei um capeta.

-Uma coisa vou dizer ao senhor, seu padre, quem é pobre neste mundo é tratado como cachorro. Veja padre, as fila nos hospitais, só tem mesmo é gente lascada, sem nada pra viver. A gente não vê um rico na fila, nem esses filhos de papai.

-Eu conheço uma moça, padre, que depois que se formou em medicina, agora é outra pessoa: orgulhosa, vaidosa, parece que não é filha de Deus. Ela era pobre, e agora ficou tão besta.

-Olha padre, o pobre, quando chega ao hospital, numa repartição pública, é tratado como gato, como bicho, ninguém olha pra ele, e quando é atendido, é atendido de forma grosseira, nojenta, seu padre.

-Padre Djacy, uma vez eu tava na estrada, passou um parente meu, ele é doutor, e nem olhou para mim. Eita bicho orgulhoso esse meu primo”.

-Padre, me diga uma coisa, lá no céu, tem esse negócio de gente que foi importante na terra, ocupar os primeiros lugares? Se for assim, seu padre Djacy, a gente ta é lascado. Nem no céu o pobre tem vez. Vixe Maria.
-Padre, tem gente que quando se forma, ou arruma um bom emprego, não fala mais com a gente, fica toda orgulhosa, antipática.

-Padre Djacy, uma doutora assim me falou: eu sou médica, sou mais importante que qualquer pessoa, eu sou como Deus. Quero ver as pessoas não correrem atrás de mim?
Certo juiz seu padre, me disse: o que é? O que deseja? Saia da minha frente. Padre, sai chorando e pensando: não sou nada neste mundo.

-Olha, padre, tem gente que se sente tão importante, tão sem igual, que não dá um bom dia a ninguém, sobretudo as pessoas pobres, as pessoas sem nada na vida.

-Por que tanto orgulho, vaidade, cara dura, tanta besteira, se a qualquer momento pode ter uma dor de barriga e fazer as coisas no meio da rua, num salão de festa, no carro.

-Padre Djacy, penso que essa gente granfina só usa banheiro porque é o jeito.

-Bom, padre Djacy,o padre fulano de tal me recebeu muito mal na sua casa, nem sequer me mandou sentar. Estava com tanta sede, mas tive cerimônia em pedir água. Pense, seu padre, no luxo da casa. Eita casa bonita a do padre .Eita como o padre e sua equipe são antipáticos, Deus me livre. E é porque é padre, imagine se não fosse. Esse padre não é de Deus, me tratou com muito mal.

-Padre, esse povo besta, importante, faz as mesmas coisas que as outras pessoas fazem? Sente dores, tem dor de barriga, solta gases, vomita, usa sanitário?

-Meu amigo, uma coisa é certa, tem gente que só porque é importante, doutor pra lá, doutor pra cá, quando morre, depois de algumas horas, a podridão toma conta. Não é assim, padre?

-Ah, padre, minha filha queria fazer medicina, fez um bocado de vestibular, mas não passou. Agora, sabe quem passa para fazer medicina na Universidade Pública? Claro, os filhos de ricos. Como minha filha é pobre, nada.

-Estou fazendo um bingo para arrecadar dinheiro para pagar a cirurgia do meu filho, pois o médico disse que só faz se pagar na hora.

-Eu fui reclamar que o médico não cumpre o horário integral no PSF, sabe o que ele falou? Ele falou que o problema era dele, e pronto. Pobre é pra ficar calado, porque pobre não é nada diante dele. Ele me disse isso, seu padre.

-Olha, meu amigo padre, meus filhos depois que se tornaram doutor, agora têm vergonha do pai e da mãe, só porque a gente é velho, feios, só porque a gente não tem dentes e tem o rosto engiado. Eles têm vergonha de nós padre.

-Meu vizinho não fala com a gente, não cumprimenta ninguém. É todo mundo antipático. Penso que é porque mora numa mansão, e a gente mora numa casa simples, humilde.

-Tem gente tão besta, tão orgulhosa, que quando está dirigindo seu carrão com óculos escuros, não fala com ninguém. Parece um robô.

Muitas vezes, essa gente fina que pensa que é imortal, que não vai morrer, apodrecer e feder, tem até nojo de pegar na mão dos seus semelhantes (literalmente falando), pelo fato de serem pobres. Há patricinhas e mauricinhos que mais parecem um robô: empinam o nariz, endurecem a cara e mal olham para as pessoas. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia a morte pega esses granfinos, e sua carne vai apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor, venha em seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não há julgamento por parte de Jesus, que dissera: “Ai dos que maltratam os pobres”.

Nas missas de exéquias, ou missas de finados, faço questão de chamar a atenção dos cristãos católicos para a brevidade da vida. Digo-lhes que é imprescindível que nos preparemos para o momento final de nossa existência humana, e que no instante final da vida ser-nos-emos julgados pela prática do amor, conforme diz São João da Cruz: “no entardecer da vida, seremos julgados pelo o amor”. Faço questão de citar muitas expressões bíblicas, visando fazer com que os ouvintes tenham uma melhor compreensão sobre a necessidade de prepararem-se cristamente para a morte. Ei-las:

“Nós não temos cidade permanente, estamos olhando para a cidade futura (Hebreus 13,14).

“Não dura muito o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e os ricos igualmente”; morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”Sl 48(49);
“para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21);

“Nós, porem, somos cidadãos do céu” (Fl 3,20);

“Como sopro se acabam nossos anos. Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos(Sl 89);

“Ninguém se livra da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu resgate; A isenção da morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal” Sl 48(49);

“A morte é justa e vem para todos indistintamente” (Salmo 48(49)).

Uma coisa eu digo, e sem medo de errar, que o cemitério é o lugar onde todos moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, pessoas importante de narizes empinados, arrogantes, prepotentes. Pensem num lugar, onde todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério, é na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na Casa do Pai. Lembremo-nos da famosa parábola do famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus. Então, reflitamos, antes que seja tarde.

Quero ver os figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os “não me toquem”, os narizes empinados, escaparem dessa. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não estou nem aí.

O amor ao próximo- e quem é o meu próximo?- será o critério maior do nosso julgamento final. Não foi por acaso que Jesus tanto insistira no mandamento do amor: “amai-vos uns aos outros”.

A única coisa que impede barreiras chama-se mortalidade. Somos iguais na vida e na morte. Dessa realidade transcendental ninguém escapa.

Para os que se consideram imortais, tão importantes, valem as palavras de Jesus: “quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (Lc 14,11). Essas expressões do Senhor da libertação, o Senhor que veio para “que todos tenham vida”, levam-me a crer que os pequenos, os rejeitados, os pobres, são os porteiros do céu. E agora, seus semideuses?

A única coisa que impede barreiras chama-se mortalidade. Somos iguais na vida e na morte. Dessa realidade transcendental ninguém escapa.

Padre Djacy Brasileiro, 02 de novembro de 2016.

E-mail: padredjacy@hotmail.com
Twitter: @Padredjacy

Palmas para as manifestações civilizadas - Padre Djacy Brasileiro



 


Djacy Pereira Brasileiro
Venho observado que as manifestações contra o golpe e em defesa da democracia, por este país afora, têm como bússola norteadora o espírito democrático, em outras palavras, os militantes da democracia e do bem-estar brasileiro vêm se comportando de forma bem civilizada, o que demonstra elevado grau de maturidade política.
Milhares de cidadãos e cidadãs, esquerdistas, nacionalistas e progressistas estão, de forma corajosa, firme e convicta, indo às ruas para gritar bravamente contra um possível golpe institucional e defender a jovem democracia. Alguns portam bandeiras de seus partidos, de suas associações, de seus sindicatos, outros com faixas com chavões pertinentes, com dizeres apelativos e, assim, de forma organizada, festiva, bonita, todos, numa voz uníssona, gritam em defesa do Estado Democrático de Direito, da Constituição cidadã, dos seus direitos adquiridos, graças aos governos de Lula e Dilma.
O povo está na rua, com força, coragem, bravura, determinação, na luta contra aqueles que querem que o Brasil entre na orbita do retrocesso político, econômico e social. Esse mesmo povo, do alto de sua elegância, civilidade, grita: não aceitamos retrocesso nem golpe. É o verdadeiro Brasil mostrando sua cara. O Brasil de todas as classes trabalhadoras, de todas as raças, credos, classes sociais e de diversos segmentos políticos e manifestações culturais.
Nessas mobilizações, ninguém pensa em si, no seu bem-estar pessoal, no seu sucesso ou manutenção do seu status quo. Egoísmo, individualismo, não faz parte do seu cardápio de protesto. O que impera é o bem-estar de todos, da coletividade, do país. A luta não é defesa de um grupo, de um partido político, de uma ideologia, mas é a luta do povão em defesa da justiça social, da cidadania, dos seus direitos inalienáveis, enfim, é a batalha democrática, pacata e respeitosa por um país mais justo, igualitário, humano e digno. É esse povo organizado, politizado, pacífico, que pensa no seu país, no seu progresso sociopolítico-econômico.
Intolerância, radicalismo, preconceito, ódio, rancor, discriminação político-ideológica, contra as pessoas que divergem politicamente não há. Ninguém xinga, maltrata ou desdenha do seu opositor. Não há expressões ásperas, deselegantes, injustas contra quem quer que seja. O outro é objeto de respeito. O nível de educação dos militantes da democracia e do verdadeiro Brasil é altamente civilizado, educado, respeitoso e democrático.
O povo grita, canta, pula, dança. Nessa hora todos são iguais, não há divisão de classes, raças, credos etc. Ninguém se comporta com tal, de salta alto, com expressão de revanchismo, ou espírito de vingança. Todos são bem-vindos. O que vale nessa hora de marcha, de caminhada cívica, é a união em torno de uma causa nobre: a luta contra um possível golpe institucional, pela democracia e preservação das políticas públicas de inclusão.
Que lindo, que emoção, ver o povo alegre, bem humorado, com ideias na cabeça, com propostas políticas, com espírito revolucionário de mudanças, de transformações, sem revanchismo e ofensas, cantando o hino nacional e a famosa canção “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores, de Geraldo Vandré:
“Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontece...”

Conversando com os defuntos - Padre Djacy Brasileiro



Coisa esquisita, hein? Conversando com defuntos só pode ser mistério assombroso. Não fica ninguém nessa hora. Assombração total. Conversar com defuntos é de arrepiar o cabelo, aumentar as pancadas do coração, travar as pernas, sufocar a voz por socorro.

Pois é, trata-se de um artigo cômico, engraçado, mas, ao mesmo tempo, polêmico, crítico e revelador. Pois, nesse diálogo com alguns defuntos, há toda uma revelação: a hipocrisia diante dos que morrem.
Faz tempo que venho conversando com alguns mortos, mesmo ainda nos seus ataúdes. Sozinho, sem ninguém, aproveitei para dar uma cutucada em cada morto. Todos eles foram solícitos. Puxei conversa. Queria saber deles o que achavam do choro, do clamor, das lágrimas, faixas, discursos de homenagens por parte de tantas pessoas que os cercavam.

Foram diversos defuntos. No início tive medo, arrepio, de estar ao lado de gente morta, cada morto era de assombrar. Pensei sair em disparada. Mas fiquei, tive coragem. E fui em frente. Tinha hora que não sabia se chorava, ria, ou corria.

Entrei em processo de empatia com cada falecido. Suas palavras comoviam-me, deixando-me triste, pensativo, revoltado. Era tudo o que eu queria saber de sua vida, de sua história, de sua família, de seus amigos etc. Ouvia atentamente a voz embargada desses tristes finados. Sua voz era embargada, de seus olhos saiam lágrimas. Suas mãos tocando nas minhas, como a dizer: fique perto de mim, não me deixe sozinho. Eita, que medo! Mãos de defuntos nas minhas. Mãos geladas. Quase corria!

Vou consignar tudo o que ouvi dos falecidos. São palavras fortes, chocantes, reveladoras, emocionantes, tristes etc. Vale salientar que os nomes dos falecidos são fictícios, exatamente para preservar sua identidade. Caso contrário, eles vêm me buscar de madrugada. Ai estou lascado mesmo.

Defunto Chico Zé

-Padre Djacy, passei a vida sozinho, sem ninguém me visitar, só porque morri, minha casa tá cheia de gente. Nunca vi isso na minha vida.
-Quando eu era vivo, ninguém queria saber de mim, agora é todo mundo olhando pra mim, com cara de choro. Vão pro inferno, magote de bestas.
-Tá vendo padre, hoje eu sou querido, só porque morri.

Defunto Zeferino

-Oxe, aqui tem tanta gente, tanta gente, que mais parece um carnaval. Nunca vi esse povo na minha vida. É cada um.

-Nunca ninguém me deu uma roupa, um sapato, um perfume, só porque morri agora é roupa nova sapato novo e toma perfume.

-Quando eu estava doente, num hospital, ninguém me visitava, meus familiares e amigos me abandonaram lá no hospital. Eu vivia na maior solidão, na maior tristeza. Ninguém ia me ver. Agora, porque morri, é todo mundo aqui me olhando-me beijando, passando a mão na minha cabeça, me cheirando. Agora é tarde, seu padre. Eu queria isso era quando eu estava doente, lá no hospital.

-Padre, quando fiquei velho, meus filhos não se importavam comigo, não estavam nem aí comigo. Não cuidava de mim. Eu sentia tanto desprezo, tanto desgosto, que passava horas e mais horas chorando. Agora, depois que morri, estão todos aqui desesperados, gritando: pai, a gente te ama, pai agente te ama. Oxe, só agora, depois que morri? Por que não cuidavam de mim, quando eu estava vivo? Agora é tarde, meus filhos.

-Tá vendo, até a minha ex-mulher, que não tinha pavor deu, tinha ódio, raiva, está aqui me olhando com os olhos molhado de lágrimas. Oxe, eu não sabia que morrer e ficar dentro de um caixão era tão bom.

Defunto Chico Peba.

-Padre Djacy, só porque morri, o que tem de gente chorando em torno do meu caixão não é brincadeira. Quando eu estava vivo, ninguém me conhecia. Nem minha família estava aí comigo. Ninguém se lembrava de mim.
-Esses meus filhos que estavam gritando, desesperado, derramando tantas lágrimas, porque morri, é tudo hipocrisia. Quando eu estava doente, me contorcendo de dores e mais dores, eles não queriam saber de mim. Iam para as festas e me deixavam gemendo, gritando desesperadamente. Pra que chorar por mim depois que morri, hein, seu padre?

Defunto Macaíba

-Quando eu estava preso, na maior solidão da cadeia, ninguém aparecia lá, agora vem esse pessoal da igreja rezar por mim. E por que não me visitava quando eu estava preso? Por que não iam a cadeira levar para mim um pouco de comida? Só agora, depois que morri vem rezar, chorar? Eu precisava de vocês, da solidariedade de vocês, quando eu me encontrava na maior tristeza da vida, lá na cadeia.

-Antes de morrer, eu era alcoólatra, bebia muito, vivia jogado na rua, nas praças, nas calçadas. e pessoas olhavam para mim com indiferença, com novo. Eu era tratado como bicho, um Zé da vida. Muita gente da igreja, que ia pra missa todo dia não se importava comigo, falava mal de mim, tinha nojo de mim. Não tentaram me ajudar para sair dessa vida. Agora, depois que morri, lá vem essa gente do padre rezar pra minha alma. Hipocrisia da porra!

Defunta Léca

-Padre Djacy, tá vendo essa gente chorando, desesperada, soluçando, diante deste meu caixão? Essa gente, seu Padre, quando eu era viva, vivia falando mal de mim. Esse povo que está aqui chorando, colocando flores sobre o meu corpo morto, falava mal de mim, dizia que eu não prestava, eu era isso, aquilo e tantos outros adjetivos. Depois que morri, agora é chorando, colocando flores, me homenageando. Eita hipocrisia da bexiga. Só porque morri agora virei santa. Como é bom morrer pra ser santa.

Defunto Brás.

-No meu velório trouxeram de tudo, coisa que nunca vi: pão, bolacha, bolo, salgado, refrigerante, creme de galinha. Agora, quando eu estava vivo, eu vivia passando fome, eu vivia na miséria, mas ninguém me ajudava, nunca ninguém quis me tirar da miséria. Agora, só porque estou morto neste caixão, inventaram de trazer comida boa. Pra quê, hein? Defunto não come. Por que não mataram minha fome quando eu era vivo?

-Até o padre veio me visitar, rezou e jogou água benta em mim. Esse padre, quando eu vivia na miséria, no abandono, passando fome, nunca me deu um bom dia, uma boa tarde. Nunca teve compaixão de mim. Nunca procurou saber sobre o meu sofrimento, minha miséria. Só porque morri, lá vem ele rezando por mim. Eu queria desse padre era reza e ajuda, solidariedade, quando estava ainda vivo.

Defunta Biba

-Tá vendo esse chororô, seu vigário? Não é por amor a mim não, é porque não tem mais a boquinha da minha aposentadoria. Eles estão chorando não é porque morri, mas é porque vão ficar sem o meu dinheirinho.
-Esses netinhos, nem todo seu vigário, que estão chorando porque morri, nunca cuidaram de mim, não ligavam para mim, não queriam saber de mim. Só porque morri agora vem chorando. Eita hipocrisia! Valei-me meu padim Ciço. Ah, nem me lembrava, eu morri.

Defunto Zé Biró.

-Eita doutor hipócrita! Eu era empregado desse doutor na sua empresa. Ele, a mulher dele e os filhos viviam me humilhando no trabalho, eles tinham raiva de mim. Eles me tratavam com arrogância. Agora veja: só porque morri, estou neste envelopão, eles vieram aqui, derramaram lágrimas. Oxe, o tal do doutor fez até um discurso me elogiando. Vão pra o inferno, bando de hipócritas. Eu queria era ser tratado como gente quando era vivo e trabalhava na empresa dele. Pra que esse discurso? Já estou morto. Discurso não me devolve a vida.

Defunta Bubu

- Só porque morri, agora é todo mundo me chamando carinhosamente pelo diminutivo. É Buiquinha pra cá, Buiquinha pra lá. Essas pessoas que agora choram e me chamam carinhosamente pelo o nome são todas falsas. Em vida, nunca me trataram bem, com carinho, com amor, com dignidade. Adoeci, nunca perguntaram como eu ia. Cara de pau, porque morri, agora é Buiquinha morreu, Buiquinha vai fazer falta...

Defunta Birita

- Eita que minha casa tá lotada de gente. Morri com oitenta anos. Em vida, nunca vi minha casa assim. Não recebia visita de ninguém. Eu vivia sozinha, sem ninguém. Os meus vizinhos não vinham me visitar, nem minha família. Depois que fechei os olhos, minha casa tá lotadinha. Oxe, depois que morri não adianta mais. Isso é hipocrisia, é falsidade!

Defunto Pinto

-Depois que morri é tanto elogio. Estão dizendo assim: Pinto era bom, pinto era trabalhador, Pinto era sincero, Pinto era honesto, Pinto era educado, Pinto era humilde, Pinto era isso e aquilo. Agora, seu padre, quando eu era vivo, nunca ouvi um elogio para aumentar minha autoestima. Muitos desses que estão me exaltando tinham raiva de mim, falavam mal de mim. Vão mentir e ser hipócritas no inferno, bando de falsos.

Defunto Tapioca

-Estão celebrando missa do meu corpo presente. Nunca vi tanta gente. É tanta reza, tanta homenagem, tantas emoções. Tudo isso é falsidade, hipocrisia. Vejam, só, seu padre:

-Vou começar pelo padre. Esse padre, sabendo da minha vida, do meu sofrimento, das minhas dores, nunca foi lá em casa, nunca me ajudou nem sequer com uma palavra,

-Essas beatas que estão cantando, rezando, chorando, também nunca me visitaram.
-Esse povo que chora, nunca procurou saber do meu sofrimento, da minha doença.
-Nunca vi tanta hipocrisia na minha vida de defunto.

Defunto Picolé

-Meu Deus! Eu num caixão bonito, elegante e caro. Acho que este caixão custou uma fortuna. Foram meus filhos que compraram. Tudo bem. Até agradeço. Mas quando eu era vivo, nunca um filho meu chegou para dizer assim: pai, comprei essa rede boa, bonita, para o senhor. Eles nunca ligaram para mim. Tem nada não!

Defunto Zé Caju.

-Eita hipocrisia, falsidade, desses meus filhos. Todos chorando porque morri. Agora amanhã, pode aguardar seu padre, todos eles vão estar brigando, se matando,pela herança que vou deixando, frutos do meu suor.

-Essa minha família está aqui desesperada, chorando, mas digo uma coisa com toda verdade: todos estão pensando como vai ficar a minha terra, as casinhas que eu tenho. Eles estão pensando é na herança. Quando eu estava vivo, não estavam nem aí comigo.

-A briga vai ser feia por causa da herança. O que vai ter de filhos, netos, noras, genros, brigando pelo que deixei não será brincadeira. Que Deus ponha a mão no meio para não haver coisa pior.

Defunta Zefa

-Diabo é isso na minha cara? Meteram pó na minha cara. Pintaram minhas unhas, botaram um negócio no meu cabelo, e até perfume. Oxe, só porque virei finada? Antes ninguém se preocupava com o meu rosto estragado, com minha pele ressecada e com a minha higiene pessoal. Não sabia que era bom morrer pra ser ficar tão bem arrumada. Mas por que fizeram isso depois que morri? Valha, minha Nossa Senhora da Boa Morte!

Defunto Flor.

-Oxe, nunca vi você chorando por mim, e agora você está em pranto porque morri. Vai ser falso no inferno, seu Você nunca me ajudou em nada. Você era meu vizinho, ouvia de madrugada os meus gritos de tanta dor, e você não vinha me socorrer. Pare de chorar e vá pedir perdão, amigo. Seu choro é choro de falsidade.

Defunto Pedoca

-Esse choro todo em torno do meu corpo neste preto caixão não é porque morri, é remorso. E remorso pesa na alma, na consciência.
Quer ser bom? Quer ser homenageado? Quer ser chamado pelo diminutivo? Então morra!

Padre Djacy Brasileiro, em 18 de janeiro de 2016.

E-mail: padredjacy@hotmail.com
Twitter: @Padredjacy

Muita hipocrisia na noite de Natal - Padre Djacy Brasileiro



Jesus nasceu pobre, na periferia, distante dos ricos, das elites, dos poderosos, dos palácios, do luxo e das riquezas. Como pobre, sentiu as dores do povo oprimido, injustiçado, ferido na sua dignidade de pessoa humana. Aliás, toda sua vida foi voltada para os pobres. Basta ver o sermão da montanha. “Felizes os pobres, os que passam fome, os mansos (amansados), os que são perseguidos por causa da justiça...” (Mateus 5: 1-11).

É natal! Muitos templos suntuosos, enfeitados, iluminados, com suas apoteóticas celebrações litúrgicas, porém vazias de anúncio e denúncia profética. O anúncio do Reino de Deus para os pobres, os pequenos, passa distante. Nada de veemente grito profético em defesa dos que clamam por justiça, vida, dignidade.

É natal! Muitos aplausos para Jesus, muitas mensagens de felicitações, muitas confraternizações, com comidas e bebidas caríssimas, porém, pouca sensibilidade humano-cristã diante dos sofrimentos de tantos irmãos nossos, vítimas das drogas, do trabalho escravo, da exploração sexual, do preconceito, da discriminação, da fome, miséria, exclusão social e de tantas injustiças.

É natal! Na noite festiva do natal do menino Jesus, milhares de crianças, na América Latina, na África, no Oriente Médio, vão dormir ao relento, com frio, fome e sede. Seu silêncio infantil será uma oração clamorosa subindo aos céus, mas os ouvidos de muitos cristãos estarão moucos nessas horas.

É natal! No dia do nascimento de Jesus pobre, esfarrapado, milhões de seres humanos, filhos amados de Deus, estarão gritando por socorro, por clemência, pelas nossas mãos solidárias, mas muitos cristãos dirão que não têm nada a ver.

É Natal! E Jesus Cristo chora e lamenta na pessoa das vítimas das atrocidades das guerras promovidas por governantes que se rotulam de adoradores de Deus ou cristãos, mas esses ditos crentes dirão que é preciso usar a força bélica para destruir a força do mal.
É natal! Muita festa pra Jesus no céu, e nada pra Jesus na terra. Aliás, para muitos, o verdadeiro Jesus não será o centro da festa cristã. Quanta hipocrisia, farisaísmo!

E o Natal do verdadeiro Jesus, onde acontece? Acontece em cada pessoa humana desprezada, maltratada, destruída, destroçada, injustiçada, ferida na sua dignidade e agredida nos seus direitos inalienáveis. Então é Natal de Jesus na pessoa do pobre!

Padre Djacy brasileiro, em 17 de dezembro de 2015.
E-mail: padredjacy@hotmail.com
Twitter: @padredjacy

Tentando audiência como o ministro da Integração Nacional- Padre Djacy Brasileiro



 O Vale do Piancó, sertão paraibano, clama pungentemente por água. A cada dia que passa, a situação vai ficando pra lá de caótica. O povo vive momento dramático. Situação desesperadora.

 

Para esta região castigada pela seca, no momento só há uma saída para amenizar o sofrimento da população: incluir o rio Piancó no projeto de transposição. Se isso acontecer, o referido rio será perenizado, o que vai beneficiar milhares de sertanejos.

 

Como Pastor, não posso ficar inerte, acomodado, diante do clamor do povo. Tenho que dar minha parcela de contribuição na luta para amenizar o seu sofrimento. Para isso, estou tentando a possibilidade de ter uma audiência com o ministro da Integração Nacional para falar-lhe sobre a importância e eficácia da inclusão do nosso rio no projeto de transposição.

Para realizar esse desejo, diria humanitário, espero contar com a ajuda dos nossos representantes em Brasília.

Padre Djacy Brasileiro, no Vale do Piancó-Pb, em 01 de dezembro de 2015.

E-mail: padredjacy@hotmal.com

Tel.: (83)- 98779-2218

Quero ver os granfinos correndo da morte - Padre Djacy Brasileiro



“Orai e vigiai, pois não sabeis nem o dia e nem a hora”, disse Jesus. Como é notório, todos chegaremos ao final de nossa existência, querendo ou não. É uma realidade transcendental pela qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores, doutos, analfabetos, famosos, latifundiários, Presidentes, Generais, Papas, gente besta do nariz empinado e os “não me toquem”. Não escapa ninguém. Graças a Deus! Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso, preparem-se para o encontro definitivo com Deus.

Infelizmente, nesta sociedade materialista, hedonista, consumista, por que não dizer, secularista, muitas pessoas poderosas, endinheiradas, cheias de vida, encasteladas nas suas vaidades, vivem como se não fossem morrer. A cada dia que passa preocupam-se mais e mais com status, beleza física, satisfação pessoal, poder, notoriedade e com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos, vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, lucrar mais, para isso, passam por cima dos valores ético-morais, explorando os pobres, praticando todo tipo de corrupção, sem contar com outras atitudes incompatíveis com a dignidade da pessoa humana. Para essa gente gananciosa, orgulhosa, vaidosa, vale a sentença bíblica: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade”.
Para esses “semideuses”, o que importa é o viver no aqui e agora. O pior, é que esse comportamento anticristão, desumano, é praticado muitas vezes, por pessoas que se dizem cristãs, que vão à igreja ou ao templo, leem a Bíblia, se confessam, recebem a Eucaristia louvam a Deus. Mais que hipocrisia desses cristãos! Eis o que diz Jesus: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor, será salvo”. Ora, até o diabo acredita em Deus.

Para que tanto apego às coisas desta vida efêmera? O que adianta tanto orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição, se a qualquer fração de segundo da vida, a pessoa pode desaparecer do “mapa”? : “Como sopro se acabam nossos anos. Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos”(Sl 89).
Há muitas pessoas que, pelo fato de ganhar bem, morar em mansões, ser possuidoras de diplomas, de anel de ouro no dedo (médicos, juízes, promotores, advogados, políticos, empresários, engenheiros etc.), ter bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade, só pisam no chão porque é o jeito e evitam contato direto, amigável, afável, com as pessoas pobres, simples, humildes, necessitadas, tratando-as com indiferença, arrogância, prepotência, como se esses queridos filhos de Deus não fossem pessoas humanas possuidoras de dignidade. Coitadas, a qualquer momento poderão bater as “botas”: “Como o sopro do vento é o homem, os seus dias são sombra que passa” (Salmo 143).

Muitas pessoas humildes, pobres, injustiçadas, vítimas de preconceitos, tratadas com desdém pela sociedade do ter e poder e também, infelizmente, por certas autoridades religiosas, comentam coisas que deixam meu coração de pastor dilacerado, partido. Comentários tristes, revoltantes. Tratam-se, indubitavelmente, de desabafos:
-Seu padre, eu tenho um primo, que agora é doutor, ganha muito, anda só de carrão, Agora seu padre, ele passa por nós, e nem dá um bom dia. O bicho tá todo orgulhoso. Passa por nós, como se nós não fosse família dele.

-Eu tenho uma prima rica, só anda de carro importado, uma vez eu tava numa festa e uma pessoa perguntou pra ela: fulana você é família desse camarada? Ah, seu padre, ela disse : ele ainda é parente de meu pai, mas bem distante. Nojenta, sou sobrinho do seu pai, pensei eu. Pense num desgosto. Antes, a gente andava de jumento pra roça, e hoje ,nem me conhece. Tá bom, entrego nas mãos de Deus.
-Padre, o médico me tratou mal. Ele mandou que eu me afastasse dele, eu não sei por que seu padre, eu acho que porque eu sou pobre. Isso foi numa consulta, padre.
-Seu padre, só porque sou pobre, não tenho nada na vida, fui mal recebido pelo juiz. Ele, seu padre, falava comigo gritando, e eu seu padre só fazia chorar. Depois, voltei para minha casinha, e minha filha de meu um chá prá eu me acalmar. Olha, padre, só porque eu só pobre, tenho certeza disso”.

-Meu querido padre, uma vez eu fui a casa de uma pessoa rica da cidade, e quando bati palma, fui logo ouvindo: o que é, o que foi, tá não, pode ir embora. Fiquei um capeta.
-Uma coisa vou dizer ao senhor, seu padre, quem é pobre neste mundo é tratado como cachorro. Veja padre, as fila nos hospitais, só tem mesmo é gente lascada, sem nada pra viver. A gente não vê um rico na fila, nem esses filhos de papai.
-Eu conheço uma moça, padre, que depois que se formou em medicina, agora é outra pessoa: orgulhosa, vaidosa, parece que não é filha de Deus. Ela era pobre, e agora ficou tão besta.

-Olha padre, o pobre, quando chega ao hospital, numa repartição pública, é tratado como gato, como bicho, ninguém olha pra ele, e quando é atendido, é atendido de forma grosseira, nojenta, seu padre.

-Padre Djacy, uma vez eu tava na estrada, passou um parente meu, ele é doutor, e nem olhou para mim. Eita bicho orgulhoso esse meu primo”.

-Padre, me diga uma coisa, lá no céu, tem esse negócio de gente que foi importante na terra, ocupar os primeiros lugares? Se for assim, seu padre Djacy, a gente ta é lascado. Nem no céu o pobre tem vez. Vixe Maria.

-Padre, tem gente que quando se forma, ou arruma um bom emprego, não fala mais com a gente, fica toda orgulhosa, antipática.

-Padre Djacy, uma doutora assim me falou: eu sou médica, sou mais importante que qualquer pessoa, eu sou como Deus. Quero ver as pessoas não correrem atrás de mim?
Certo juiz seu padre, me disse: o que é? O que deseja? Saia da minha frente. Padre, sai chorando e pensando: não sou nada neste mundo.

-Olha, padre, tem gente que se sente tão importante, tão sem igual, que não dá um bom dia a ninguém, sobretudo as pessoas pobres, as pessoas sem nada na vida.
-Por que tanto orgulho, vaidade, cara dura, tanta besteira, se a qualquer momento pode ter uma dor de barriga e fazer as coisas no meio da rua, num salão de festa, no carro.

-Padre Djacy, penso que essa gente granfina só usa banheiro porque é o jeito.
-Bom, padre Djacy,o padre fulano de tal me recebeu muito mal na sua casa, nem sequer me mandou sentar. Estava com tanta sede, mas tive cerimônia em pedir água. Pense, seu padre, no luxo da casa. Eita casa bonita a do padre .Eita como o padre e sua equipe são antipáticos, Deus me livre. E é porque é padre, imagine se não fosse. Esse padre não é de Deus, me tratou com muito mal.

-Padre, esse povo besta, importante, faz as mesmas coisas que as outras pessoas fazem? Sente dores, tem dor de barriga, solta gases, vomita, usa sanitário?
-Meu amigo, uma coisa é certa, tem gente que só porque é importante, doutor pra lá, doutor pra cá, quando morre, depois de algumas horas, a podridão toma conta. Não é assim, padre?

-Ah, padre, minha filha queria fazer medicina, fez um bocado de vestibular, mas não passou. Agora, sabe quem passa para fazer medicina na Universidade Pública? Claro, os filhos de ricos. Como minha filha é pobre, nada.

-Estou fazendo um bingo para arrecadar dinheiro para pagar a cirurgia do meu filho, pois o médico disse que só faz se pagar na hora.

-Eu fui reclamar que o médico não cumpre o horário integral no PSF, sabe o que ele falou? Ele falou que o problema era dele, e pronto. Pobre é pra ficar calado, porque pobre não é nada diante dele. Ele me disse isso, seu padre.

-Olha, meu amigo padre, meus filhos depois que se tornaram doutor, agora têm vergonha do pai e da mãe, só porque a gente é velho, feios, só porque a gente não tem dentes e tem o rosto engiado. Eles têm vergonha de nós padre.
-Meu vizinho não fala com a gente, não cumprimenta ninguém. É todo mundo antipático. Penso que é porque mora numa mansão, e a gente mora numa casa simples, humilde.

-Tem gente tão besta, tão orgulhosa, que quando está dirigindo seu carrão com óculos escuros, não fala com ninguém. Parece um robô.

Muitas vezes, essa gente fina que pensa que é imortal, que não vai morrer, apodrecer e feder, tem até nojo de pegar na mão dos seus semelhantes (literalmente falando), pelo fato de serem pobres. Há patricinhas e mauricinhos que mais parecem um robô: empinam o nariz, endurecem a cara e mal olham para as pessoas. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia a morte pega esses granfinos, e sua carne vai apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor, venha em seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não há julgamento por parte de Jesus, que dissera: “Ai dos que maltratam os pobres”.
Nas missas de exéquias, ou missas de finados, faço questão de chamar a atenção dos cristãos católicos para a brevidade da vida. Digo-lhes que é imprescindível que nos preparemos para o momento final de nossa existência humana, e que no instante final da vida ser-nos-emos julgados pela prática do amor, conforme diz São João da Cruz: “no entardecer da vida, seremos julgados pelo o amor”. Faço questão de citar muitas expressões bíblicas, visando fazer com que os ouvintes tenham uma melhor compreensão sobre a necessidade de prepararem-se cristamente para a morte. Ei-las:

“Nós não temos cidade permanente, estamos olhando para a cidade futura (Hebreus 13,14)

“Não dura muito o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e os ricos
igualmente”; morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”Sl 48(49);

“para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21);
“Nós, porem, somos cidadãos do céu” (Fl 3,20);
“Como sopro se acabam nossos anos. Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos(Sl 89);
“Ninguém se livra da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu resgate; A isenção da morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal” Sl 48(49);
“A morte é justa e vem para todos indistintamente” (Salmo 48(49)).

Uma coisa eu digo, e sem medo de errar, que o cemitério é o lugar onde todos moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, pessoas importante de narizes empinados, arrogantes, prepotentes. Pensem num lugar, onde todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério, é na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na Casa do Pai. Lembremo-nos da famosa parábola do famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus. Então, reflitamos, antes que seja tarde.

Quero ver os figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os “não me toquem”, os narizes empinados, escaparem dessa. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não estou nem aí.

O amor ao próximo- e quem é o meu próximo?- será o critério maior do nosso julgamento final. Não foi por acaso que Jesus tanto insistira no mandamento do amor: “amai-vos uns aos outros”.

A única coisa que impede barreiras chama-se mortalidade. Somos iguais na vida e na morte. Dessa realidade transcendental ninguém escapa.
Para os que se consideram imortais, tão importantes, valem as palavras de Jesus: “quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (Lc 14,11). Essas expressões do Senhor da libertação, o Senhor que veio para “que todos tenham vida”, levam-me a crer que os pequenos, os rejeitados, os pobres, são os porteiros do céu. E agora, seus semideuses?

A única coisa que impede barreiras chama-se mortalidade. Somos iguais na vida e na morte. Dessa realidade transcendental ninguém escapa.

As pessoas querem ser amadas - Padre Djacy Brasileiro



 Eis que vos dou um novo mandamento: “amai-vos uns aos outros”, disse Jesus Cristo. Quando ele fala isso, é porque sabia que o ser humano, não importa quem, sente a necessidade extrema de ser amado, tratado com carinho, atenção, respeito. A pessoa humana, afinal, é feita de coração, de sentimento, de sensibilidade.

 Como é bom querer bem as pessoas. Não custa nada amá-las, tratá-las com carinho, atenção, respeito, sobretudo aquelas pessoas pobres, excluídas, que nada têm a não ser a própria existência humana. São essas pessoas que mais clamam pelo nosso olhar de ternura, de compaixão, de solidariedade. Para esses irmãos excluídos, Jesus falara: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt,11,28).

 Quando a gente ama, nada diminui na nossa vida. Pelo contrário, crescemos interiormente. Ficamos mais felizes e em estado de harmonia. Numa palavra certeira: ficamos em paz com Deus, conosco e com os irmãos. Até a natureza sai ganhando, porque estamos na mesma barca do mundo natural. Nada mais é do que a dinâmica do amor vertical e horizontal: eu e Deus; eu o outro, o tu; eu e a natureza, a natureza e nós.

 É preciso que sejamos humildes para entrar amorosamente na vida das pessoas. A humildade nos leva a abrir o coração para o próximo, o meu irmão. Foi o que fizera o Bom Samaritano. Na sua humildade, disponibilidade, socorreu o irmão agredido, doente, abandonado, quase morto. O amor daquele homem bom salvou aquela vítima da violência e da beira da morte. Só os simples, oshumildes, os desapegados, os puros, têm a capacidade de estar com o outro, caminhar com o outro, de olhar para o outro com o olhar do coração, da ternura e da compaixão, sem jamais olhar a quem e receber algo em troca: “amar que ser amado. Pois, é dando que se recebe”, dizia São Francisco sobre a beleza do amor ágape.

 Às vezes fico a questionar: pra que tanto orgulho, tanta arrogância, tanta prepotência, tanta vaidade? Para que serve a loucura frenética em busca de grandeza, de status, se a vida é tão breve e, o pior, nada levaremos? Ora, quando corremos em busca desenfreada dessas coisas terrenas, ilusórias, esquecemos do irmão que clama pungentemente pelo nosso amor, pelo nosso carinho, pelas nossas mãos solidárias e sentimento de compaixão e misericórdia. Com isso, será que muitos não perdem a oportunidade de juntar tesouro na Casa do Pai? “Vaidade das vaidades! Tudo é vaidade” (Ec 1:2).

 Para os semideuses arrogantes, orgulhosos, prepotentes, que desprezam os humildes, os pobres, exatamente porque não conhecem o caminho do amor, valem estas palavras sábias e certeiras do salmo 48 (49):

 

Por que temer os que confiam nas riquezas *
e se gloriam na abundância de seus bens?

Ninguém se livra de sua morte por dinheiro *
nem a Deus pode pagar o seu resgate.


A isenção da própria morte não tem preço; *
não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites *
e garantir-lhe uma existência imortal. Morem os sábios e os ricos igualmente; †
morrem os loucos e também os insensatos,
e deixam tudo o que possuem aos estranhos;
os seus sepulcros serão sempre as suas casas,
suas moradas através das gerações, *
mesmo se deram o seu nome a muitas terras.

 Não dura muito o homem rico e poderoso; *
é semelhante ao gado gordo que se abate.

 Vale ressaltar, que amor não é romantismo, poesia, palavras bonitas e emocionantes. Amar é sair de si mesmo e ir ao encontro do outro, e do outro que clama pelo meu amor ágape. Amar é lutar para que o outro viva bem, com dignidade. É apoiar a luta dos pobres contra as injustiças, as desiguales e todo tipo de escravidão etc. Amar é ser solidário, ser humano, ter sensibilidade diante do sofrimento do irmão. É apoiar sua luta por libertação. O amor de Jesus pelos pobres foi o centro de toda sua vida: “eu vim para que todos tenham vida” (João, 10,10).

 Sejamos humildes. Demos atenção a quem quer que seja. Abracemos as pessoas sofridas, excluídas, que nada têm nesta vida, repito. Saiamos dos nossos bairros chiques, das nossas casas elegantes, e visitemos, como cristãos, as pessoas que moram nas periferias, nas favelas, no interior. Entremos nas suas casas. Conversemos com os seus moradores. Abracemos a todos. Nada de frescura. Visitemos as prisões, os hospitais, sobretudo os públicos. No julgamento, Jesus irá dizer: “vinde, benditos de meu Pai para o reino, porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me”(Mt 25:31-46).

 Queiramos bem a todos. Nada de individualismo. Partilhemos. Sejamos solidários, fraternos, irmãos. Não pensemos só em nos mesmos, no nosso mundo, no nosso castelo pessoal. Compartilhemos com os pobres o que podemos compartilhar: o amor, a ternura, o calor humano e até mesmo os bens materiais. Não custa nada sair de si em direção ao outro. São João da Cruz assim expressava: “no entardecer da vida, seremos julgados pelo amor”.

 Quando uma pessoa humilde, que vive no desprezo da vida, por nada ter, recebe amor, carinho, atenção, ela se sente gente, importante, considerada e amada. Por que os pobres, os excluídos, os sem nada na vida, corriam atrás de Jesus? Porque sentiam-se amadas pelo Senhor. Era o amor (amor libertador) de Jesus pelos pobres que o tornava admirado, querido, respeitado e tratado com autoridade: “quando Jesus deixou o barco, viu numerosa multidão; sentiu-se movido de grande compaixão pelo povo, e curou os seus doentes (Mt 14: 14).

 Jesus não oferecia dinheiro nem outro bem material aos pobres. A única coisa a dar-lhe era o amor. Jesus os amava incondicionalmente. Era esse amor profícuo que o fazia famoso. Jesus tinha doutorado no amor. E por ser doutor na arte sublime de amar, deixou-nos o mandamento do amor: “um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei ( João 13,34).

 Padre Djacy Brasileiro, em 10 de outubro de 2015

 

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Vidas humanas estão sendo ceifadas - Padre Djacy Brasileiro



 A cidade onde moro, Pedra Branca, sertão paraibano, chora com a morte de seus filhos. Há dois meses, três pedrabranquenses perdiam a vida num trágico acidente, e ontem, para nossa tristeza, mais dois perderam a vida. É chocante, desesperador, revoltante.

 

Como cidadão sertanejo, filho do Vale do Piancó, e Padre que atua na referida região, quero gritar meu grito profético:

 

-Por que nos finais de semana, a Policia não faz blitz nas estradas e cidades, sobretudo nos períodos festivos?

-Por que nesta região, não se faz uso do bafômetro? Cadê a lei do bafômetro? Por que não se aplica por aqui?

-A nível de estado, por que não pensar na volta da operação Manzuá?

-Por que não evitar a politização da violência?

-Afinal, o que o governo do Estado vem fazendo para evitar tantas mortes causadas por acidentes de trânsito, nesta região?

Espero que este brado profético seja ouvido e levado em estrita consideração, para o bem do povo querido do sertão paraibano.

Pedra Branca-PB, em 05 de outubro de 2015.

Padre Djacy Brasileiro.


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Clamor do povo chegou aos nossos ouvidos - Padre Djacir Brasileiro



 

"A violência não constrói o Reino de Deus, o reino da humanidade” (Papa Bento XVl).

 Nós, Padres do zonal de Itaporanga (pertencente à Diocese de Cajazeiras), na região do Vale do Piancó, sertão paraibano, reunidos no Crato, em retiro, depois de uma profunda reflexão e pedirmos sabedoria e coragem ao Senhor da vida e da paz, tomamos, por unanimidade, a profética iniciativa de emitir esta nota na qual expressamos nossa profunda preocupação e indignação no que diz respeito à onda de violência que vem imperando na nossa região sertaneja.

 Lamentamos que o nosso Vale do Piancó esteja se afogando no mar da violência. Está de assombrar. Nunca vimos um cenário tão violento, macabro, ameaçador: assassinatos, assaltos, drogas etc., sem contar com os constantes acidentes de trânsitos, muitas vezes deixando vítimas fatais. E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Basta acompanhamos os meios de comunicação social da referida região, para conferir essa sinistra e desumana realidade.

 

Essa cultura de morte deixa-nos estarrecidos, indignados, tristes. O povo de Deus, nesta porção da Diocese, está sofrendo muito. E o nosso coração de pastor não suporta tamanha dor.

 Diante do exposto, urge que gritemos profeticamente em defesa dos irmãos e irmãs da referida região. Afinal, somos pastores que, a exemplo de Jesus Cristo, que deu a vida pelas suas ovelhas, devemos defender ardorosamente a vida desse querido povo de Deus que, na sua aflição, clama por segurança e paz.

 Chamamos a atenção dos governos federal, estadual e municipal para essa a situação gravíssima que, a cada dia que passa, vai se agigantando, tomando proporções inimagináveis. O povo já vive momento de desespero. O medo de ser vítima da violência é uma realidade constante na vida do dos sertanejos. Não é por acaso que gritamos pungentemente: queremos segurança! Queremos paz!

Como pastores, exigimos medidas concretas, não paliativas, de combate às causas da violência. Que as ações de combate a essa cultura de morte não se resumam em aumentar o contingente policial e aparelhá-lo, que é imprescindível, mas que haja verdadeiro combate à impunidade e que promovam arrojadas politicas públicas de inclusão social, econômica e educativa, favorecendo a libertação integral da pessoa humana e o resgate da cidadania.

 

Esperamos que o nosso brado profético seja ouvido e levado em estrita consideração por todas as autoridades responsáveis pela segurança, pela paz e o bem-estar do povo do Vale do Piancó.

 Que o Deus da vida, o Deus do Jesus libertador, que profeticamente gritara: eu vim para que todos tenham vida, abençoe a todos nós sertanejos, concedendo-nos o dom da paz e a graça da libertação dos males sociais.

 Vale do Piancó-sertão paraibano, em 07 de setembro de 2015.

 

Pe. Dácio José -Conceição, Ibiara e Santa Inês-PB

Pe. Humberto - Conceição- PB

Diácono Anderson Braga -Conceição- PB

Pe. Josenildo Abrante - Santana de Mangueira-PB

Pe. Damião Pereira -Diamante e Curral Velho-PB

Pe. Isaías Vieira - Boa ventura-PB

Pe. Djacy Brasileiro - Pedra Branca-PB

Pe. Cláudio Praxedes -Itaporanga-PB

Pe. Quirino P. Cirilo - - Itaporanga-PB

Pe. Antônio Sérgio: - Aguiar e IGARACY-PB

Pe. Manoel P. Costa -Caiana e Serra Grande -PB

A vida no sertão paraibano - Padre Djacy brasileiro



 “Se eu tivesse um emprego, como muita gente tem, não deixaria o sertão, por São Paulo de ninguém”, assim cantava o poeta sertanejo Expedito Sobrinho, numa expressão sublime de amor incondicional à região. É uma poesia que ressalta a vida do povo no sertão. Para o referido poeta, para que os sertanejos fossem felizes, só bastariam duas coisas: inverno e emprego.

 

Mesmo com o avanço da onda da insegurança, da violência, no sertão, por incrível que pareça, e graças a Deus, ainda reina um certo clima de tranquilidade, de paz. A prova está que à tardinha, à noite, as pessoas sentam-se nas calçadas de suas casas, das igrejas, dos bares e nos bancos da praça. Conversa vem, conversa vai. Os adultos conversam sobre seu passado, seus problemas, os jovens paqueram, namoram, traçam planos para o futuro, e as crianças brincam, se divertem, correm alegremente. E para encantar, embelezar, deixar mais romântica a noite sertaneja, há um céu limpo, estrelado, e uma lua linda, linda de morrer. Não era por acaso que Luiz Gonzaga cantava: “não há, ó gente, ó não, luar como esse do sertão...”. A noite sertaneja é uma poesia.

 

Após o almoço, tradicionalmente os sertanejos armam uma redinha para dormir um pouquinho. Balanço vem, balanço vai. E o sono vem. É uma dormida sossegada, apesar do calor imenso. Ah, como é gostosa a dormida no sertão, seja de dia ou à noite. Na madrugada, a gente ouve o solene cantar do galo.

Ah, não posso deixar de falar um pouco sobre a nossa comida. Faz parte do sagrado cardápio dos sertanejos: bolo de caco ou “orelha de pau”, rubacão, cuscuz, angu com leite, rapadura, doce de leite etc. Sem falar no saboroso café feito na hora, bem quentinho. Amo a comida do meu sertão. Adoro o meu bolinho de caco, meu rubacão, meu tradicional café com leite. Não troco a comida do meu sertão por comida chique, sofisticada, enfeitada, de ninguém.

 No meu sertão paraibano, tudo é simples. Aqui impera o reino da simplicidade, da humildade. Os sertanejos se satisfazem com o pouco que têm. Não vivem se maldizendo, reclamando da vida, em clima de desespero. Apesar das limitações socioeconômicas, impera o bom humor. Os sertanejos são sorridentes, alegres. Nunca estão com a cara feia, amarrada, melancólica. Não perdem a alegria do viver nem a esperança de um dia melhor. Aliás, a esperança em Deus, num futuro melhor, é sua marca registrada. Sempre falam: Se Deus quiser, se Deus quiser...!

 

Se você chega à casa do sertanejo, ouve logo o tradicional e estridente grito de saudação: pode entrar, entre. Fique à vontade! A casa é pobre, mas o coração é grande. De repente vem a ordem: sente-se. E benevolentemente pergunta: quer água? Vou fazer um cafezinho. Enquanto a mulher faz o café ou o chá, conversa vem, conversa vai. O diálogo é em torno de tudo. A conversa gira em torno dos problemas da comunidade, da família, passando pela politica local, religião etc. O diálogo amistoso, fraterno, vai longe. Tudo na linguagem que lhes é peculiar. Nada de formalidade linguística. Aliás, a simplicidade linguística é alma do entendimento mútuo. Na saída, ainda diz: espere para almoçar, o almoço está pronto. É um convite verdadeiro, do fundo do coração. Nada de hipocrisia!

 

Na zona rural, as pessoas humildes, simples, em suas casinhas tão simplesinha, desprovidas de quaisquer estéticas na sua arquitetura, vivem tranquilamente, sem o estresse do dia a dia. Nada têm, a não ser o necessário para viver. E o necessário lhes basta. Não lamentam, não murmuram. Quando chegam à noite, dormem em paz. Dormem felizes por saber que no seguinte não terão dívidas a pagar, não irão chegar faturas de cartões de créditos, não terão que correr para cobrir cheques, sabem que não irão receber notificação judicial para pagar o que deve ou, senão, ninguém vai aparecer na sua porta para lhes cobrar dívidas. O seu sono é de paz.

 Uma das características mais nobres, mais sublime, mais cristã, presente no coração dos sertanejos chama-se solidariedade. Os sertanejos são muito solidários. E são solidários em todas as circunstancias adversas ou não da vida: na seca, no inverno, na abundancia, na escassez, na alegria, na tristeza, na dor, no desespero, na aflição, na doença, na morte e no luto. Nesses momentos, podemos sempre contar com a mão amiga dos irmãos conterrâneos.

 Aqui no meu sertão, quando alguém adoece, todos se preocupam, rezam e fazem até promessa para a pessoa melhorar. Caso morra, acontece coisa linda, emocionante. A casa fica lotada. As pessoas vêm consolar e dar força à família. As vizinhas ou amigas tomam conta da cozinha. Umas fazem chá, outras café, outras ficam administrando tudo o que acontecem na casa. A calçada e’ cheia. Não falta gente. Todos lamentam, choram. A conversa gira em torno do finado. Ah, ia esquecendo, no velório, não faltam água, café, chá, bolacha, bolo.

 No meu sertão querido e abençoado, o enterro de qualquer sertanejo é acompanhado por uma multidão. Primeiro a missa, depois a caminhada até o cemitério. O caixão é levado pelas próprias pessoas. Nessa caminhada fúnebre, estão crianças, jovens, idosos. Mensagens, lágrimas, tristeza, reza e hinos religiosos fazem parte inerente do último adeus. Todos dão adeus ao falecido, como a dizer: até o nosso reencontro definitivo.

 No meu sertão paraibano, a praga do individualismo não fala tão forte. As pessoas ainda se preocupam com as outras. Pensam no bem e na felicidade dos outros.

 Neste recanto paraibano, seco, torrado, o orgulho e a vaidade, a arrogância, prepotência não são marcas registradas no coração bondoso dos sertanejos. A humildade é sua característica principal. Comportam-se humildemente diante do padre, do doutor, do prefeito ou diante de quaisquer outras pessoas. São humildes demais.

 

Aqui, os sertanejos, apesar das dificuldades, não perdem a alegria do viver. São alegres, sorridentes, bem humorados. Gostam de contar estórias cômicas. Nunca estão com a cara amarrada, feia. Parece ser coisa de Deus. Sempre dizem: o importante e viver.

 

Onde moro, a fé cristã faz parte do cotidiano dos sertanejos. Acreditam incondicionalmente num Deus pai que cuida de todos. Vivem sua fé de maneira simples. A devoção faz parte do seu itinerário religioso. Rezam, cantam, participam da missa ou do culto (caso sejam evangélicos), de procissões e fazem promessas aos seus santos preferidos. Têm um amor danado aos seus líderes religiosos. Aliás, antigamente, havia um adágio que dizia: “no sertão, em tempo de seca, só escapam duas coisas: padre e jumento”. Sabem por quê? Porque jumento come de tudo, e o padre, porque o povo não deixa morrer de fome.

 Os sertanejos, diria da minha Paraíba, quando vão para outros recantos deste país, levam na mala do coração três coisas: esperança, saudades e o desejo de ainda voltar. Mesmo distante da terrinha ensolarada, não esquecem suas raízes nem perdem sua identidade regional.

 Aos queridos sertanejos que aqui estão, meu respeito, minha admiração, carinho e apoio, e aos que vivem em outras regiões deste Brasil, tantas vezes humilhados, explorados, dando um duro para viver, distante de tudo e de todos, esta canção de Luiz Gonzaga: “faz pena o nortista, tão forte e tão bravo, viver como escravo no Norte e no Sul”.

 

Sertão da Paraíba – 01 de agosto de 2015

 

Padre Djacy Brasileiro

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Jesus discursando no Congresso Nacional - Padre Djaci Brasileiro



 Imagino que se Jesus retornasse ao nosso convívio, em carne e osso, para uma breve visita ao Brasil, poderia, quem sabe, ir ao Congresso Nacional para proferir um grande discurso profético, dirigido aos deputados e senadores que compõem aquela Casa.

 

Não resta dúvida, seu discurso seria contundente, inflamado, profético, carregado de anátemas. E qual seria o teor do discurso desse filho amado de Deus? Quem seriam seus ouvintes? Quais seriam as imediatas reações? O que iriam fazer com Jesus de Nazaré, após seu inflamado pronunciamento? Seria aplaudido de pé, ou expulso pelos homens e mulheres do poder, após perceberem que seu status quo fora questionado, julgado e condenado moralmente?

 

Vejamos como seria o discurso de Jesus, o defensor incondicional dos injustiçados, dos excluídos, dos marginalizados, dos sem vida, dos sem dignidade, dos massacrados pela cultura maldita da injustiça social:

 

Senhores e senhoras, meu cordial boa tarde

 

Vim a esta casa em missão de paz. E nesta missão de paz, quero lançar meu grito profético. Espero ser compreendido. Sei das graves consequências que cairão sobre mim. Estou consciente da reação negativa de muitos de vocês. Mas não temerei, porque minha missão é libertadora, é salvífica.

 

Como os senhores e as senhoras sabem, eu vim a este mundo para que todos tenham vida e a tenham em abundância. É nessa direção que farei o meu pronunciamento. Serei breve, objetivo. A minha linguagem será a linguagem do povo sofredor, que tantas vezes é ignorado ou tratado com desdém por vossas excelências. Então, desculpem-me pela informalidade.

 

Senhores e senhoras

 

Olho para esta casa e só vejo luxo e mais luxo, a começar por vocês com suas roupas e calçados caríssimos. Percebo que neste lugar reinam o luxo, a vaidade e a sede pelo poder. Aliás, me perdi dentro deste recinto. Quase que não chegava até aqui. Penso que aqui, pobre não entra. Ora, obrigaram-me a vestir um paletó e por uma gravata.

 

Quanta a mordomia, ao luxo, lembrem-se das palavras de São Basílio:

 

"O pão que para ti sobra é o pão do faminto. A roupa que guardas mofando é a roupa de quem está nu. Os sapatos que não usas são os sapatos dos que andam descalços. O dinheiro que escondes é o dinheiro do pobre. As obras de caridade que não praticas são outras tantas injustiças que cometes. Quem acumula mais que o necessário pratica crime" (São Basílio, 330-379; Comentário a Mateus 25,31-46).

 

Nesta casa, os senhores e as senhoras falam em mim, fazem orações e louvores, mas vivem na contramão do meu evangelho. A fé de vocês é inócua, uma fé alienante, reacionária. Hipócritas, fariseus! Tenho pavor a esses louvores e orações que vocês fazem. Esse bla-bla-bá de vocês não chega aos meus ouvidos.

 

Vocês desrespeitam o crucifixo que está sobre suas cabeças. Não me levam em consideração. Têm a minha imagem somente como decoração. Vocês são hipócritas. Melhor seria retirar meu retrato dessa parede. Seria um grande respeito a mim e ao meu povo, tantas vezes crucificado pelos senhores e senhoras. Vendo-me pregado na cruz, ainda não entenderam o porquê da minha morte? Não entenderam a minha mensagem de libertação e salvação? Vocês sabem, por acaso, por que me mataram? Qual o motivo do meu assassinato? Sabem quem me matou?

 

Entendam-me, por favor. Essa minha imagem, pendurada sobre a cabeça dos senhores e senhoras, representa o meu povo sofrido, que clama por vida, justiça social, dignidade. Então, se vocês nada fazem pelo povo, está na cara que vossas excelências não me amam de verdade, a não ser da boca pra fora. Vou repetir o que eu falara há dois mil anos: este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim (15,8). Ah, detesto hipocrisia!

 

Aqui, há deputados e senadores riquíssimos, não sabem o que possuem, que estão voltados de corpo e alma para seus próprios interesses, seus projetos pessoais, e que o povo se dane. Muitos de vocês só pensam em três coisas: poder, prazer e ter. Lembrem-se das minhas palavras consignadas no Evangelho: “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus” (Mt 19:24).

 

Por que, senhores e senhoras, vocês dispõem de tantas regalias, tantas mordomias? Passagens aéreas, auxílio moradia, verba de gabinete, verba indenizatória, cota parlamentar, verbas paletó, verba pra isso, verba pra aquilo etc., sem contar com os carros de luxo e os altos salários. O que vocês ganham por mês é um absurdo. É muito dinheiro no bolso dos senhores e senhoras. Vocês não acham que isso é uma verdadeira afronta ao povo que luta noite e dia para ganhar o pão de cada dia?

 

Quanta a mordomia, ao luxo, ao esbanjamento, lembrem-se das palavras de São Basílio:

"O pão que para ti sobra é o pão do faminto. A roupa que guardas mofando é a roupa de quem está nu. Os sapatos que não usas são os sapatos dos que andam descalços. O dinheiro que escondes é o dinheiro do pobre. As obras de caridade que não praticas são outras tantas injustiças que cometes. Quem acumula mais que o necessário pratica crime" (São Basílio, 330-379; Comentário a Mateus 25,31-46).

 

Senhor presidente desta Câmara de deputados, fui informado de que suas atitudes são antidemocráticas, anti-povo, anti-constituição. Você não acha que isso não é uma grande contradição para quem vive orando,louvando,falando em mim em cultos, celebrações? Enchem a boca com o nome do meu Pai, mas vive na contramão dos princípios democráticos. Deixe de hipocrisia! Aliás, ouvi dizer que você tem a mania de ser golpista, é verdade?

 

Tem mais, senhor presidente, sua postura autoritária, ditatorial, é inaceitável. Essa sua maneira de presidir vai de encontro a sua fé cristã, a ética cristã. Converta-se para tornar-se uma autoridade exemplar e referência politica e moral para o povo brasileiro.

 

Este lugar tornou-se podre, fétido, com as ações perversas de tantos. Muitos vivem acusações, difamações, calúnias etc. Onde está o respeito pelo o outro? Onde está a civilidade, a cordialidade?

 

Vocês deputados, o que estão fazendo pelo seu povo, lá nos seus estados? Têm feito algo em defesa dos sem terra, dos sem teto, dos desempregados, dos sem vez e voz? Por que muitos daqui têm ojeriza aos movimentos sociais? Por que tentam, a todo custo, criminalizá-los?

 

Senhores e senhoras, trabalhem pensando no povo, no seu bem-estar. Sejam coerentes com seus projetos políticos. Lutem para levar para seus estados benefícios na área da saúde, educação, segurança, moradia etc. Sejam autênticos, sinceros com seus mandatos. Honrem seus mandatos. Não abandone o povo, lembrando-se deles somente em tempo de eleições. Ouçam o que diz o profeta Zacarias:

 

“Ai do pastor imprestável! Ai do pastor que abandona o rebanho que lhe foi confiado! Que a espada da justiça fira o seu braço, e fure o seu olho direito! Eis que seu braço secará por inteiro, e o seu olho direito ficará completamente em trevas!”( Zacarias 11:17).

 

Aqui no Senado, há senadores latifundiários. Então a pergunta: por que vocês, que são tão ricos, por que têm raiva do MST? Por que não se preocupam com tantas pessoas que não têm um pedaço de chão para trabalhar? Para que tanto apego, tanto acúmulo? Uma coisa e’ certa: vocês vão morrer, morrendo, vão prestar conta ao meu Pai. Vocês serão julgados duramente, severamente. Ah, para os nobres senhores e senhoras, vale este salmo 48(49):

 

Por que temer os que confiam nas riquezas *
e se gloriam na abundância de seus bens?
– Ninguém se livra de sua morte por dinheiro *. E mais: – Não dura muito o homem rico e poderoso; *
é semelhante ao gado gordo que se abate.

 

Muitas vezes vocês, no auge do poder, aprovam projetos que não coadunam com a moral cristã, com os desígnios de Deus, com seu plano criador, mas se dizem cristãos, inclusive frequentando cultos e missas. Quanta contradição, hein?

Muito de vocês, que se dizem cristãos e democráticos, vivem querendo passar o rolo compressor em cima das políticas públicas que visam melhorar a vida do povo pobre do Brasil. Por quê? Por que são contra o bolsa família, o mais médicos?

 

Desçam do pedestal do poder, escutem a voz rouca da rua, dando-lhe atenção devida. Aliás, vocês estão aqui para servir ao povo, para estar com o povo, caminhar com o povo. Sem o povo vocês não estariam aqui. Não é verdade?

 

São muitos os que dizem católicos, rezam e recebem a Eucaristia, mas andam na contramão da Igreja no Brasil, quando aprovam vergonhosamente a redução da maioridade penal? Isso é um prova cabal que vocês não dão a devida atenção às posições CNBB. Por que não abandonam logo a Igreja? Vocês são contraditórios.

 

Vou repetir o que falei no início do meu discurso: nesta Casa, o luxo reina. Nunca vi tanto luxo, nem nos palácios do império romano, quando eu andava pelo mundo. Enquanto isso, milhares de pessoas não têm onde morar, a não ser na rua, nas calçadas, nas praças, debaixo de pontes etc. Isso é justo, é humano? Onde está a consciência cristã de você?

 

Senhores e senhoras, cadê a reforma politica, tão propalada, tão sonhada pelo povo brasileiro? O que vocês estão fazendo é uma vergonha, uma afronta ao povo. Não se trata de reforma, mas de deforma. Vejam só a questão da doação de empresas privadas para as campanhas eleitorais. Vocês usaram de toda astucia ou malabarismo sujo para aprovar essa cláusula. Então, a corrupção vai continuar. Não é isso que vocês querem? Confesso que é um absurdo, uma vergonha nacional. É, em síntese, uma ofensa a Deus e ao povo do seu país.

 

Senhores e senhoras desta Casa, abominem a corrupção, a praga do nepotismo, a mentira, a falácia, a enganação, a, as vaidades, o apego ao poder pelo poder. Abandonem a pratica da injustiça, da insensibilidade. Sejam justos, honestos, trabalhadores e coerentes com suas propostas político-partidárias.

 

Para concluir, peço-lhes, mais uma vez: se não mudarem as atitudes mesquinhas, antidemocráticas, anti-constituição, anti-povo, que retirem o meu crucifico que está sobre suas cabeças, porque é uma afronta a minha memoria martirial, alias, saibam que me mataram porque coloquei-me do lado dos pequenos, dos indefesos, dos injustiçados, dos sem vez e voz. Sigam-me meu exemplo, e só assim ouvirei as suas orações e ficarei feliz com os seus louvores e palmas.

 

Concluo meu humilde pronunciamento com as bem-aventuranças:

 

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa (Mateus 5:3-11).

 

Meu recado profético está dado. Quem tem ouvido ouça.

 

Muito obrigado pela atenção.

 

 

 

Padre Djacy Brasileiro, em 08 de julho de 2015.

Como pastor peço socorro ao governo do Estado - Padre Djacy Brasileiro



É lamentável que nosso o nosso sertão paraibano esteja se afogando, a cada dia que passa, no mar da violência. Está de assombrar, nunca vi um cenário tão macabro, ameaçador, violento: acidentes no trânsito, mortes matadas, assaltos etc.

Como cidadão sertanejo, filho do Vale do Piancó, e Padre que atua na referida região, quero gritar meu grito profético: autoridades paraibanas, a situação é gravíssima, não podemos ficar parado no tempo sem nada fazer. O povo já vive momento de desespero. As medidas de combate a essa onda assombrosa da violência têm que ser tomadas URGENTEMENTE. É questão de vida ou morte. Socorro!

Faço alguns questionamentos:

 

-Por que nos finais de semana, a Policia não faz blitz nas estradas e cidades, sobretudo nos períodos festivos?

-Por que nesta região, não se faz uso do bafômetro? Cadê a lei do bafômetro? Por que não se aplica por aqui?

 

-A nível de estado, por que não pensar na volta da operação Manzuá?

 

-Por que não evitar a politização da violência?

 

Espero que este brado profético seja ouvido e levado em estrita consideração, para o bem do povo querido do sertão paraibano.

 

Pedra Branca-PB, em 15 de junho de 2015.

Padre Djacy Brasileiro

E-mail: padredjacy@hotmail.com

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