Nordeste lidera escalada de homicídios no Brasil, aponta Ipea



 
Cinco dos nove estados da região tiveram aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas em dez anos

Por: Juliana Aragão

Cinco dos nove estados da região Nordeste tiveram aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas em dez anos
Cinco dos nove estados da região Nordeste tiveram aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas em dez anos. Analyson Miqueias/TV Ponta Negra

Líder nos índices de homicídio no Brasil, com 43,26% de todos os assassinatos ocorridos no país segundo o último Mapa da Violência, o Nordeste tem cinco estados onde se verificou um aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas entre 2006 e 2016. O dado faz parte do Atlas da Violência 2018, resultado de levantamentos feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (5).

Entre os estados onde houve aumento muito expressivo das taxas de homicídio — calculadas levando em consideração o número de mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes nos dez anos abrangidos pela pesquisa — o Rio Grande do Norte lidera o ranking, com um crescimento de 256,9% nesse índice. O percentual é mais do que o dobro do verificado em Sergipe (121,1%), o segundo estado onde a taxa mais cresceu. A lista segue com o Maranhão (121%), Tocantins (119%), Bahia (97,8%) e Acre (93,2%) .

No Nordeste, além do Rio Grande do Norte, Sergipe, Maranhão e Bahia, o Ceará também teve um crescimento exponencial (86,3%) nas taxas de assassinatos registrados em 2016 em relação aos índices de 2006. Piauí (58,5%), Paraíba (48,8%) e Alagoas (2%) completam os oito dos nove estados da região que apresentaram variação positiva do índice. Pernambuco aparece como o ponto fora da curva: é a única unidade da federação dentro do Nordeste a apresentar decréscimo (-10,2%) no indicador.

Homicídios totais no NE
Números do Atlas da Violência mostram homicídios em alta no Nordeste (Arte: Pedro Galindo/OP9)

Cinco dos nove estados da região Nordeste tiveram aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas em dez anos
Cinco dos nove estados da região Nordeste tiveram aumento de mais de 80% nas taxas de mortes violentas em dez anos. Foto: TV Ponta Negra/Reprodução

Estados com as maiores taxas de homicídios estão no Norte e no Nordeste
Os números consolidados pelo Atlas também mostram como as mortes violentas são mais prevalentes no Norte e no Nordeste, onde ficam as sete unidades da federação onde foram verificadas as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes. Sergipe (64,7) lidera a tabela, seguido por Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9).

As estatísticas reveladas pelo levantamento mostram que 62.517 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2016 — o equivalente a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil pessoas, a maior já registrada na história do país . O índice corresponde a 30 vezes o verificado na Europa. Se contabilizados os últimos dez anos, a quantidade de brasileiros vitimados pela violência soma 553 mil pessoas.


No Brasil, Alagoas é o segundo no ranking das taxas de homicídio
No Atlas do Ipea, Alagoas ocupa o segundo lugar entre os estados do Brasil com maior índice de homicídios. O estado só fica atrás de Sergipe — onde a taxa chega a 64,7 pessoas assassinadas a cada 100 mil habitantes — no ranking do Brasil. Em Alagoas, esse índice é de 54,2. Na sequência, aparece o Rio Grande do Norte, com 53,4. O estado com o menor indicador (10,9) é São Paulo.

No mesmo dia em que o Atlas da Violência foi divulgado, o Governo de Alagoas anunciou a redução das mortes violentas pelo sétimo mês consecutivo na comparação com o mesmo período de 2017. Segundo dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac) da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), foram registrados 121 homicídios em maio de 2018, contra 125 no mesmo período do ano passado.

Quando confrontados os dados de janeiro a maio deste ano com os do mesmo período do ano anterior, é possível observar uma queda de 23% do número de mortes violentas. Foram 685 assassinatos no estado no período, contra 900 no ano anterior.

A SSP informou ainda que desde novembro há uma queda nos registros de homicídios em Alagoas. Em novembro de 2017, ocorreram 145 crimes. No mesmo mês de 2016 foram 165. Já em dezembro de 201, houve 158 notificações de mortes violentas, contra 196 em dezembro de 2016.

Sobre os dados do Atlas da Violência, a SSP enviou nota à imprensa. Leia na íntegra:

Desde 2015, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP) colocou como prioridade a redução de homicídios e vem conseguindo reduzir os índices. Após ser considerado durante uma década como o mais violento do país, saiu do topo dessa lista. Essa mudança tem relação direta com a nova postura de enfrentamento ao crime no estado.

Alagoas já investiu mais de R$ 60 milhões no aparelhamento da Segurança Pública. Além disso, lançou programas de enfrentamento ao crime, como o Força Tarefa e o Ronda no Bairro, e construindo Centros Integrados de Segurança Pública, que fortalecem ainda mais a política de integração entre as polícias Civil e Militar. Esse trabalho conjunto tem conseguido reprimir o tráfico de drogas, um dos principais causadores dos homicídios

Os investimentos já apontam para resultados e colocam Alagoas como um dos poucos Estados do país que conseguem reduzir crimes. Nos últimos sete meses, por exemplo, o número de homicídios caiu. Entre janeiro e maio deste ano o percentual de redução foi de 23% comparado ao mesmo período de 2017.

Fórum aberto nesta terça no Recife vai reunir vários segmentos em torno do combate à violência no Nordeste
Os números alarmantes da violência no Nordeste — e especialmente a escalada de homicídios na região — motivaram a criação de um grupo que pretende unir pesquisadores, especialistas, gestores, órgãos públicos, organizações sociais e a sociedade em geral em torno da questão da criminalidade na região. Batizada de Fórum Ronidalva Melo de Justiça, Segurança e Garantia de Direitos, a iniciativa pretende se transformar em um espaço permanente para discussão, aprimoramento e articulação de políticas públicas direcionadas para a área de segurança pública. A mobilização já foi encampada por instituições como o Fórum Popular de Segurança Pública de Pernambuco e o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop).

pretende unir pesquisadores, especialistas, gestores, órgãos públicos, organizações sociais e a sociedade em geral em torno da questão da criminalidade no Nordeste
Fórum Ronidalva Melo pretende unir pesquisadores, especialistas, gestores, órgãos públicos, organizações sociais e a sociedade em geral em torno da questão da criminalidade no Nordeste. Foto: Isabelle Ribeiro/Fundaj

Para o secretário-chefe do Gabinete de Assuntos Estratégicos do Governo de Goiás, Ricardo Balestreri — que acumula a experiência de ter atuado como Secretário Nacional de Segurança Pública e Secretário de Segurança Pública de Goiás — o combate à violência exige o envolvimento de vários atores e instituições e a transparência absoluta de dados referentes ao assunto. “Temos que montar sistemas de inteligência. É essencial dispormos de informações precisas sobre a indústria do crime para entender quem são os agentes que trabalham nessa engrenagem e de dados que informem aos órgãos atuantes onde eles precisam agir”, afirma.

Ele defende a atuação da polícia na forma de repressão qualificada, o incentivo ao policiamento comunitário e o incremento de mecanismos de prevenção como tríade essencial para o combate à violência no Brasil. “É um jogo equivocado. No Brasil, ainda vivemos a cultura de perseguir o bandido, mas, na verdade, precisamos ir atrás do dinheiro”, pontua ele. “O criminoso, preso ou morto, vai ser substituído. O bandido que jaz numa poça de sangue não é líder de nada. Os líderes do crime organizado não estão na favela. Estão viajando em jatinhos para Miami ou Amsterdã para fazer negócios”, completa.

O fortalecimento da relação da polícia com a sociedade foi um ponto destacado pela coordenadora executiva do Gajop, Edna Jatobá, como questão essencial no combate à violência. “O policial precisa ser um estimulador de prevenção na comunidade. Não queremos uma polícia que não escute as mães que perderam seus filhos, os observatórios populares, as instituições religiosas que atuam na comunidade e as famílias que têm sofrido com a criminalização de seus territórios”, defende.

 

Os 10 estados mais violentos do Brasil, segundo o Ipea



 Os 10 estados mais violentos do Brasil, segundo o Ipea
Sete unidades federativas do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes

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(Shutterstock)


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Segurança e economia são as maiores preocupações dos brasileiros, aponta pesquisa
SÃO PAULO - O Ipea (Instituto de pesquisa econômica aplicada) publicou nesta terça-feira (5) o Atlas da Violência na edição 2018. A publicação compara dados coletados entre 2006 e 2016.
O estudo mostra mostra que o país alcançou pela primeira vez a marca de 30,3 homicídios a cada 100 mil habitantes. Este número corresponde a um total de 62.517 homicídios naquele ano, 30 vezes o observado na Europa nos mesmos 12 meses.

Apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil, relata o Ipea. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país. "Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, o índice de mortes por armas de fogo era de 71,1%, o mesmo registrado em 2016", escreve o Instituto.

Por unidade federativa, o Ipea descobriu que sete UFs do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes: Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). Entre os 10 estados onde a violência letal cresceu no período analisado, estão o Rio Grande do Sul e nove pertencentes às regiões Norte e Nordeste.

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Os dez estados mais violentos foram os seguintes:

UF Homicídios/ 1000 habitantes em 2016
Sergipe 64,7
Alagoas 54,2
Rio Grande do Norte 53,4
Pará 50,8
Amapá 48,7
Pernambuco 47,3
Bahia 46,9
Acre 44,4
Roraima 39,7
Rondônia 39,3
Tocantins 37,6
Perfil

No geral, os homicídios respondem por 56,5% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no Brasil. Em 2016, 33.590 jovens foram assassinados – aumento de 7,4% em relação a 2015 –, sendo 94,6% do sexo masculino. Ao mesmo tempo, a pesquisa observa um aumento de 6,4% nos assassinatos de mulheres no Brasil nestes 10 anos. A situação é mais grave em Roraima, que apresentou uma taxa de 10 homicídios por 100 mil mulheres.

A desigualdade de raça se acentuou durante o período pesquisado. De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram pretas ou pardas. Naquele mesmo ano, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (40,2 contra 16,0). Contudo, em nove estados as taxas de homicídio de negros decresceram na década de 2006 a 2016, entre eles São Paulo (-47,7%), Rio de Janeiro (-27,7%) e Espírito Santo (-23,8%).

Dia D de vacinação contra a pólio e o sarampo acontece neste sábado



Neste sábado (18) será realizado o Dia D de Mobilização Nacional contra o sarampo e a poliomielite nos postos de saúde de todo o país.

As crianças com idade entre um ano e menores de 5 anos devem receber as doses, independentemente de sua situação vacinal. A campanha segue até 31 de agosto.

De acordo com o governo federal, a meta é imunizar 11,2 milhões de crianças e atingir o marco de 95% de cobertura vacinal nessa faixa etária, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Assessoria

Segurança: João anuncia criação da Manzuá Eletrônica e aquisição de mais um helicóptero



 
Por Redação Paraíba Já -

O candidato do PSB ao Governo da Paraíba, João Azevêdo, apresentou mais propostas para a segurança pública. Durante entrevista à Rádio Campina FM, na tarde desta sexta-feira (17), ele afirmou que o seu Governo irá retomar a Operação Manzuá totalmente reformulada, mais inteligente e inovadora. Além disso, ele garantiu a aquisição de mais um helicóptero para auxiliar o trabalhos das forças de segurança do Estado.

“Vamos fazer com que o Estado tenha, no nosso governo, mais um helicóptero. Existe uma aeronave e uma segunda, que já foi comprada. Nós vamos comprar mais uma, para que a gente possa dar cobertura nas maiores áreas do Estado”, afirmou.

João garantiu que, a partir de 2019, em seu governo, serão implantados Centros de Controle e Monitoramento em João Pessoa, Campina Grande e no Sertão paraibano. Com esses centros, o socialista explicou que outras ações de melhoria da segurança serão desenvolvidas.

“Isso significa que nós iremos, usando tecnologia de ponta, criar a Manzuá Eletrônica. Nós vamos ter as porteiras fechadas nas rodovias, mas de forma eletrônica e com muito mais agilidade. Vamos ainda aumentar o monitoramento dos grandes centros através do sistema de câmeras. Investir em inteligência, para que a gente possa ter uma polícia cada vez mais eficiente e que possa chegar mais perto do cidadão. Pode ter certeza que essa será uma preocupação constante, diária, do Governo”, explicou.

Justiça acata pedido do MP e determina aumento de frota em linhas de JP




Por Redação Paraíba Já -

Motociclista morre após ser atropelado por ônibus em JP
A Justiça atendeu a ação civil pública da Promotoria do Consumidor de João Pessoa e deferiu liminar determinando que as empresas de transporte coletivo São Jorge e Marcos da Silva (integrantes do Consórcio Nossa Senhora dos Navegantes) a cumprirem os horários de seis linhas da Capital, conforme autorizado pela Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) e aumentarem a a frota de três linhas.

Segundo a promotora de Justiça Priscylla Maroja, aportaram na Promotoria de Defesa do Consumidor denúncias dos moradores do bairro João Agripino (através de abaixo-assinado), noticiando a precariedade do transporte público nos bairros João Agripino, São José, Brisamar e Jardim Luna, especificamente, o descumprimento de horários de partida e chegada, as frequentes quebras e sujeiras dos veículos.

Durante o inquérito civil, foi verificado que, em relação às Linhas 509, 512, 401, 7120 (numeração atual 120), 7118 e 5120 não estão sendo cumprido os horários estipulados pela Semob em sua integralidade. Foi comprovado ainda que houve a redução da frota das Linhas 7120, 7118 e 5120 operadas pela Empresa São Jorge.

“Desta forma, as demandadas vêm desrespeitando continuamente o direito básico dos consumidores a uma adequada e eficaz prestação do serviço público de transporte coletivo, não restando outra alternativa ao Ministério Público que não o ajuizamento desta ação coletiva de consumo, considerando que a noticiada transgressão representou violação aos direitos da comunidade consumidora na órbita difusa, pois um número indeterminado de consumidores estão expostos a má prestação dos serviços de transporte coletivo”, explica a promotora.

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